Arquivo mensal: janeiro 2013

Resenha “Casório?” – Marian Keyes

   Quem aí já recorreu a uma cartomante para ver seu futuro? Confesse, você já quis saber mais sobre aquela proposta de emprego nova, ou aquele gato do escritório. O negócio é que nós mulheres não resistimos a esse tipo de coisa. É uma magia que nos atrai contra nossa vontade, e quando menos esperamos, já estamos sentadas na frente da senhorinha com a bola de cristal/baralho/borra de chá. Com a nossa amiga Lucy Sullivan não poderia ser diferente. Apresento-vos o meu livro favorito da Marian Keyes:
   Título Original: Lucy Sullivan Is Getting Married
   Autor: Marian Keyes
   Gênero: Chick Lit
   Páginas: 644
   Editora: Bertrand Brasil
   Após a tradicional ida à cartomante com suas colegas de trabalho, Lucy descobre que está para se casar. E dentro de uns poucos meses! Tá, camarada. Isso você lê na orelha do livro. Mas como tenho que começar por algum começo…
   Esse foi o terceiro livro da Marian que eu li, já amando o gênero Chick Lit e em especial, o jeitinho que a autora tem de contar as coisas. De cara me identifiquei com a Lucy (sim, eu leio me imaginando como um dos personagens, algo contra?). Baixinha, cabelo castanho, encaracolado, olhos castanhos, peito pequeno, um quadrilzão e pernas grossas… sou eu! Sim, e você, e aquela vizinha, e amiga dela… Nossa mocinha encanta por ser um tipinho comum e muitas vezes tomado como sem graça. E é bem como ela se sente, dividindo o apartamento com as duas amigas, Karen e Charolotte. As duas são loiraças, altas e peitudas. A vida da Lucy é essa chatice até que a cartomante consultada por ela e as amigas faz a previsão de que a mulher vai se casar em breve. Aí vira aquela bagunça, todos começam a acreditar que a notícia é real, Lucy é parabenizada por multidões, até que resolve esclarecer que era tudo bobagem. Mas ela não deixa de pensar nisso, sempre procurando encaixar os homens que ela conhece no papel do futuro marido.
   O enredo é bem no estilo da Marian mesmo, que consegue escrever de maneira especial, delicada e divertida sobre os problemas da nossa heroína. Lucy sofre de depressão clínica, seu pai é alcólatra, ela não se dá bem com a mãe, se acha uma garota super sem sal… Mas as aventuras da moça são impagáveis, e seus amigos destacam-se bem. Atenção especial ao Daniel, o melhor amigo dela e deus grego, objeto de desejo de todas as suas amigas à exceção da australiana Megan, que parece ser imune ao charme do gato, coisa que nem a mãe da Lucy consegue, e da própria Lucy, que vive zoando o cara. É… todas flertam com Daniel, inclusive eu, que me peguei em várias ocasiões fazendo isso.
   Após o divórcio dos pais seguido por sua mãe saindo de casa e Lucy tendo que cuidar do pai, ela aprende muito sobre si mesma, seus traumas, suas decepções e fracassos. E descobre estar apaixonada por quem jamais imaginaria… mas quem? Será este o tão esperado noivo? Você terá que ler para descobrir. Não deixem de ler, recomendo muito. E se eu recomendo é porque é bom, hehe. Vale a pena!
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Resenha “Fome Animal” (Dead Alive) – Peter Jackson

   Aposto que como eu, todos devem ter notado que o cinema não tem nos oferecido boas opções de filmes. Éé, a coisa tá ruim, há rumores de que vem filme do Restar por aí… A solução é encontrarmos outras alternativas de lazer e tudo é válido, até fazer bola com meleca de nariz. Ah, vai dizer? Melhor que gastar aí uma boa quantia de dinheiro em programa inútil. Porém, como minha criatividade me permite ir um pouco além, ver um bom filme em casa tem se saído muito mais divertido. E as minhas séries de tv preferidas também. @SuperGuri e eu tamos revendo Full House desde a primeira temporada e é gargalhada certa nos nossos finais de semana. Fora isso, passar jogando é a solução que todo nerd encontra para momentos de diversão e gamemaníaco como ele, não poderia ser diferente. Eu vou acompanhando e tentando entender, não é pelo fato de ser leiga no mundo dos games que terei desinteresse.
Outro dia enchi tanto o saco dele para baixar um filme que ele não aguentou as doses de pentelhação e acabou baixando as calças, uhuu!!. Produção assinada por ninguém menos do que Peter Jackson, o longa de “terror” marcou minha infância por uma das cenas mais engraçadas que já vi na vida.

   Título Original: Braindead/Dead Alive
   Lançamento: 1992
   Direção: Peter Jackson
   Duração: 104 min.
   Gênero: Terror/Trash/Gore
   Elenco: Timothy Balme, Diana Peñalver, Elizabeth Moody, Ian Watkin

   O filme já começou engraçado porque era dublado mas tinha partes em áudio original, por exemplo o começo. Resultado: passamos um bom tempo procurando vídeos de como sincronizar a legenda com o filme. Mas voltando ao enredo. Uma simpática senhora, ao espionar o encontro do filho, vivido por Murilo Rosa, com a sua namorada Paquita ilarilariêôôô, é mordida por um macaco-rato da Sumatra. Legal que a velhinha não deixa por menos e esmaga a cabeça do bicho com o salto do sapato, haha. Depois desse evento ela adoece muito e morre em seguida, voltando como zumbi. O filho, muito amoroso e apegado à mãe, resolve cuidar dela escondido de todos. Mas mesmo depois de morta a velha é esperta, sempre dá um jeitinho de atacar alguém e assim vai se espalhando a contaminação, até chegar na situação hilária do Murilinho cuidando de uma casa cheia de zumbis. O padre (as fuças do William Bonner…) e a enfermeira zombie se apaixonam e fazem um bebê que é uma verdadeira praga… o que era para nos assustar mais faz é rir.     O cara resolve contar para a namorada o que se passa e eles resolvem matar os zumbis com veneno (?). Só que não era veneno e as criaturas voltam com tudo, atenção para a mamãe do cara, que ressurge como uma super zumbi 3000 acabando geral com a galera. Muita ação, sangue, amor e uma grande revelação do passado.

   A maioria dos comentários que li sobre o filme foram de surpresa pelo diretor ser o mesmo de uma super produção, ganhadora de tantos Oscar (filmes ruins pra caramba, minha opinião, mas O Hobbit tá salvando). Tem gente que fica até constrangida ao saber. Outros justificam que era início de carreira, todos têm um passado negro. Mas vou dizer uma coisa: se o Jackson tivesse se especializado em filmes gore, seria fã de carteirinha dele. Excelente produção, e ainda conta com atores brasileiros e até mesmo jornalistas no elenco, huhu…

Resenha “Pecado Original” (Original Sin)

   Título Original: Original Sin
   Gênero: Suspense, Drama, Ação   
   Direção: Michael Cristofer   
   Duração: 118 min
   Produção: MGM, Di Novi Pictures
   Roteiro: Michael Cristofer
  
Elenco: Antonio Banderas, Angelina Jolie, Thomas Jane,

   Então, o enredo se passa em Cuba, conhecemos a mansão de Luis Vargas, um ricaço do ramo cafeeiro. O cara mesmo sendo muy guapo se arranja com um casamento pelo correio. Enquanto aguarda a chegada de navio de sua amada noiva Julia, não pode imaginar que está sendo vítima de um golpe. Quando a bela finalmente chega em sua residência, ele é tomado pelo fogo da paixão… ui, que clichê isso né? Mas é bem isso que acontece mesmo. E parece ser correspondido, embora a morena de lábios carnudos tenha um ar de dissimulada. A partir daí temos momentos bem intensos entre os dois. Não uma simples trepada mal feita, mas algo que envolve a gente do outro lado da tela. Algo bonito, bem feito. Tá, não chega a ser um Porn Art, mas não é bem o gênero de filmes produzidos pelo nosso amigo leãozinho…
Quando Luis começa a entender tudo, a falsa Julia foge, ele vai atrás dela e… você terá de ver o filme para descobrir como isso tudo termina. Tá pensando que vou reproduzir as cenas aqui em palavras? Humpf!
O bacana desse filme é que ele é bem sensual, sabe usar o corpo, explorá-lo muito bem. Só que não fica nisso, a trama é excelente, cheia de mistérios e joguinhos (e digo nos dois sentidos, vocês verão). Longe de ser um filme romântiquinho, em que ficamos torcendo pelo mocinho & mocinha, nós sabemos que ali não há nenhum dos dois. Um dos meus filmes prediletos, que tem uma história engraçada que aconteceu comigo.

Resenha Mangá “Love Junkies” – Kyo Hatsuki

   Recentemente, reparei que tenho feito coisas diferentes do normal para uma guria. Claro, ainda curto brincar de Polly (muito mais maneira que a Barbie, aquela promíscua), e de comidinha (nem vem maldar). Porém, vêm me acontecendo algumas estranhezas…
   Uma das coisas que mais gosto de fazer nos meus intervalos do serviço é procurar HQ’s e mangás bacanudos nos sebos da Capital, junto com a minha dupla dinâmica. Numa dessas ocasiões, achamos um mangá diferente dos demais. Capas bem chamativas para certas coisas, que homens ficam “babando”. Teve um dia em que quis dar uma de “to nem aí para essas coisas” (tá, e a curiosidade também estava me matando), e sugeri que levássemos um para ler no intervalo. E não é que… me apaixonei pelo enredo do mangá?
   Love Junkies, assinada por Kyo Hatsuki, é uma Ero Comedy facilmente tomada por “Hentai” (inclusive por mim antes de conhecer). Porém são muito diferentes. O primeiro, é considerado um mangá como qualquer outro, podendo ser criado por famosos mangakas, sua venda é proibida para menores de 18 anos já que seu conteúdo está relacionado a sexo e situações sugestivas ao mesmo. É facilmente encontrado em quaisquer bancas de revistas e livrarias. Já o segundo tem foco explicitamente pornográfico, e é somente vendido em lojas especializadas no gênero.
   Como leitora de Ero Comedy, e por enquanto, unicamente de Love Junkies, posso dizer que tem excelente conteúdo. Possui todo um enredo, nada de chegar fulano na siclana e pimba. Nesse mangá temos a história do Eitarô Sakakibara, um jovem de 22 anos que até então é virgem. Na primeira edição ele tem sua primeira experiência sexual e a partir daí sai em desventuras por mais experiências. É um jovem tímido, que vive se metendo em confusão. Cada situação cômica, eu diria até hilária! Até agora tenho dado boas risadas com os “micos” dele.
   Além de ser engraçadíssimo, L.J. nos mostra a busca pelo verdadeiro amor, e que este pode se manifestar sob diversas formas. Quem já leu sabe que me refiro a Eitarô e Shinako Jii. Me divirto demais com as brigas e discussões desses dois, mas também suspiro e me emociono muito. Se o Saul disser que me emociono com qualquer coisa mesmo é mentira, viu! Sou durona u.u  No mais, gosto de todos os personagens, uns mais que os outros, bem mais a Miho é uma vaca!. Nada de sexo explícito, embora possamos ver cenas bem quentes. Não é uma pornografia, em que só aparece o ato. É como o próprio título desse post sugere, tirando a parte da secretária vestida de vermelho e o controle remoto =p só que com altas doses de humor, e muito, muito romântico.
   Aqui vão algumas das capas que mais gostei até agora. Nada de maldar, hein gente:
Love Junkies #32
   É isso aí, pessoal. Vale a pena dar uma conferida!

Resenha Série “Os Normais” – TV Globo

   Tandandan … Você é doida demais, tandandandandan, você é doida demais…♪. Quem não lembra dessa música tocando na Globo nas noites de sexta-feira, logo após o Globo Repórter? Lembro de ter lá meus onze anos incompletos quando estreou na tv, e do primeiro ao último, não perdi nenhum episódio, nem mesmo quando ela trocou temporariamente para quarta-feira, em 2002. Os Normais foi exibida de 2001 a 2003, com um total de quem sabe levanta a mão três temporadas. Foi criada pelo casal Alexandre Machado e Fernanda Young, com participação do genial Jorge Furtado. O casal foi interpretado pelos incríveis Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres. A partir da terceira temporada, somos presenteados com a chegada de Selton Mello e Graziella Moretto interpretando a dupla Bernardo Carlos e Maristela, respectivamente.
   Em “Todos São Normais” (primeiro episódio, para quem não sabe), nos são apresentados Rui e Vani, noivos há então cinco anos (“Cinco anos, Rui. Cinco anos perdidos da minha vida noiva de um… meia bomba.”). Um casal total e completamente normal… de longe, até porque de perto ninguém é normal. Ele é um sacana, mesmo gostando da noiva vive dando suas escapadelas. Ela é completamente maluca (“Rui, você já teve vontade de enfiar o sabonete inteiro na boca?”), vive cheia de neuras, “meio” boca-suja… Um casal igual a qualquer outro, que às vezes (ironia detected) acaba deixando escapar algumas de suas maluquices em público, o que resulta em muitas gargalhadas por parte do público, e em muitas vezes por parte da própria Fernanda Torres. Quantas vezes já a surpreendi em um episódio rindo de se acabar, como no final de “Tudo Normal Como Antes”, da segunda temporada?
   Uma das coisas mais bacanas da série é que esta nos mostra como é uma vida de casal, os pontos negativos e os positivos. Os Normais está focada no humor, mas quem acompanhou/acompanha e entende, sabe que tem boas doses de romantismo no cotidiano do Rui e da Vani, só que de um jeito diferente.
   Aqui vai algumas imagens dos episódios em que eles demostram sua normalidade mais enfaticamente:
   Vani e sua amiga Maria Helena dançando Sandy&Junior na festa “do grupo de chatos amigos do Paulinho”, segundo a própria amiga.

Temos aqui parte da bunda da “tia dinda Vani”, enquanto esta estava dando tudo de si na coreografia “Baile dos Passarinhos” para o seu afilhado Otavinho.
“Assim não, Vani. Você tem que fazer o lado lúdico!”

Haha, essa não poderia faltar! Rui e Vani, com um dos agregados da série, Bernardo Carlos, em mais um dos programas furados do “voz e violão”. Agora todos juntos:

“Ai, ai, ai ai, esta chegando a huera, el dia ja vien rajando mi bem yo tengo que ir embueraa… Arriba, arriba!!♫”

O que falei sobre o romantismo dessa dupla mesmo? Aqui está um dos episódios mais lindos, além de muito engraçados como sempre: “Seguir A Tradição É Normal”, o episódio de Natal da série, exibido em 2001. A manteiguinha aqui chorou vendo.

A dupla ainda ganhou dois filmes, Os Normais: O Filme, de 2003, e Os Normais 2: A Noite Mais Maluca de Todas, que estreou em 28 de agosto de 2009, e foi um dos dias mais lindos e felizes da minha vida, junto ao meu Saul.

   Enfim pessoal, essa foi minha singela homenagem a uma das séries brasileiras mais geniais dos últimos tempos, e que mora no meu coração. Tenho tanto da Vani em mim mesma que não posso deixar de repetir um dos seus maiores conselhos aos casais que são felizes:
   “Toquem muita sineta e muito carrilhão!!”

Resenha “O Iluminado” (The Shining) – Stephen King

   Lembro-me como se fosse ontem, numa das minhas primeiras visitas à Biblioteca Municipal de minha antiga cidade como efetiva sócia (orgulhosa à beça, antes ia e ficava só namorando os livros em destaque), estava tão feliz que resolvi que chegava de olhar os livros só da frente, os expostos mais populares. Queria aventura de verdade, então fui logo caminhando pelo fundo à esquerda. Lá estava a verdadeira mina de ouro: terror e suspense. Fui direto na minha paixão de menina, Edgar Allan Poe. Porém, uma prateleira abaixo me chamou muito a atenção. Livros com capas de palhaços apavorantes, carros vermelhos, garotas tristes, esqueletos… vi que o autor de cada um deles era um tal de Stephen King. Não se enganem pensando que o nome me era estranho. Já conhecia o carinha, uma pessoa como eu, ávida por livros do gênero jamais ignoraria o nome e suas referências. O que acontece é que na biblioteca da minha escola não tinha nada dele, então ao ver uma prateleira cheia de suas obras meu rosto se abriu num imenso sorriso de satisfação. Isso foi um pouco antes de eu ingressar em romances mulherzinha, como os da Nora Roberts. Fiquei entre Carrie e O Iluminado. Acabei levando os dois (podia pegar dois livros e um kit de gibis por 10 dias). Aquele por a história me lembrar um pouquinho a da Jean Grey, minha X-Men favorita, e este por ter visto o filme e UAU, era de arrepiar. Talvez pela cara do Jack Nicholson já ser naturalmente assustadora, vai se saber…
    Tendo os lido nessa ordem, devo dizer que estava ansiosa por começar o segundo. O Iluminado foi ao mesmo tempo maravilhoso e revoltante, porque quando analisamos pelo prisma literário, o filme deixou muito a desejar. O livro era muito mais, é muito mais. O horror, o medo puro impresso naquelas 399 páginas jamais poderá ser reproduzido à altura.
   Título Original: The Shining
   Ano de Lançamento: 1977
   Número de Páginas: 399
   Grau de Pavor – Escala de 1 a 10: 9,85
   Diferentemente do que a maioria pensa antes de ler a obra do Tio King, não, o iluminado da história não é o Jack Torrance. Ele é apenas um escritor com certo potencial e chefe dessa família, que inclui sua esposa Winnyfred (Wendy) e seu filho de cinco anos Daniel (Dan ou Danny para os mais chegados), este sim sendo o personagem-título desse clássico. O garoto é muito inteligente para a idade que tem, às vezes sabendo até demais, como onde as coisas em casa estão quando ninguém as encontra, ou quando vai chover. Ele possui um amigo imaginário, Tony. Os Torrances estão passando por uma grave crise financeira e emocional, tendo Wendy quase pedido o divórcio por não suportar o marido bebendo como um gambá. Esse problema fez com que Jack perdesse o emprego e quebrado o braço de Danny quando este tinha apenas três anos. Até que o homem resolve se tornar abstêmio. Como isso não mudasse o fato de que passariam a ficar sem comer, Jack não pensa duas vezes quando um amigo lhe oferece a vaga de zelador do famoso Hotel Overlook. Muda-se com sua família para as montanhas e quando tudo parece finalmente entrar nos eixos as coisas começam a ficar estranhas… Danny constantemente tem pesadelos tenebrosos com o hotel, de dia vendo até imagens impressas nas alas de épocas atrás. Jack desenterra todo o passado do hotel, que é extremamente negro. O filho parece ter premonições vindas de Tony, envolvendo o hotel e sua família, mas não consegue entender… até que uma ida não autorizada ao apartamento 217 desencadeia o horror encerrado nas ricas paredes do Overlook…
   Uma das coisas a se observar na obra não é só a idéia central. King escreve muito sobre o relacionamento dos três, do quanto Wendy deixou de confiar no marido quando este agrediu o filho, e no quanto pai e filho são apegados um ao outro. Isso veio do próprio relacionamento entre King e seu filho Joe, a quem a obra é dedicada:
   “Este é para Joe Hill King, que ilumina.”
   O amor entre os dois por vezes faz Wendy sentir ciúmes, como se fosse uma estranha entre eles. Devo dizer que gostei à beça das cenas de amor entre Jack e Wendy, que foram tão bem escritas que me pergunto se não foram inspiradas em seu relacionamento com Tabitha. Não posso deixar de comentar o quanto um outro aspecto além do terror me chamou a atenção. O drama. Este não é apenas um livro para assustar e fazer gemer de medo, mas sim a vida de uma família, que mesmo com acontecimentos extraordinários é normal como qualquer outra, com seus problemas, suas alegrias. A superação diária do problema de alcolismo do marido e pai. Wendy em seu subconsciente teme que Jack agrida Danny novamente. Quantas vezes emocionei-me com o relacionamento de Danny e Jack, o garoto esperando ansiosamente pelo pai enquanto ouve seu radinho de pilha. Das tentativas deles fazerem bonecos quando começou a nevar, da estradinha que o pai fez para ele brincar com seus carrinhos. O amor com que Jack ensinava o filho a ler. Claro que Danny amava muito a mãe, mas como está escrito nas próprias páginas “O filho era a menina dos olhos de Jack”. Antes de ser uma história cruel sobre forças malignas, é sobre um amor incondicional. O quanto o Sr. Torrance lutou para não ser possuído pela criatura cruel daquele lugar, tudo pelo filho. Só passou a enfraquecer pelas desconfianças de Wendy e da impotência que sentia em relação aos acontecimentos ali presentes, pois sabia que o filho não estava mentindo. Jack então vive um grande conflito que é a) ceder à atração e influência do Overlook sobre ele, assim mudando da posição de zelador para gerente e de quebra escrevendo um livro sobre o lugar e b) deixar aquele maldito lugar, salvando a família e a si mesmo. Mas quando o hotel descobre a fraqueza de Jack e a bebida entra no jogo, consegue possuí-lo. Fiquei infinitamente triste, porque apesar de já ter visto o filme, minha esperança era de que isso não acontecesse. Descobrir que Tony na verdade era Dan um pouco mais crescido (seu nome do meio é Antony) foi uma surpresa muito legal.
   Enfim, esse foi meu segundo livro do Stephen King, e até hoje, tanto tempo depois de lê-lo sei que é e sempre será um dos mais assustadores e emocionantes romances já lidos por mim. E não são poucos, meu caro, pode acreditar.

Resenha “Rose Madder” – Stephen King

   Vamos falar sobre vingança? Haha, ok, não vou dizer que essa obra se resuma em pura e simples vingança. Talvez se assim fosse eu não tivesse me decepcionado um pouco…

  Título Original: Rose Madder
  Número de Páginas: 379
  Autor: Stephen King
  Gênero: Suspense, Drama, Fantasia
  Ano de Lançamento: 1996

   Comecemos pela sinopse. Aliás, curioso isso, muita gente detesta ler a sinopse de livros, ou aquilo que chamamos de orelha. Tem também a contracapa. Conheço bem um cara que não gosta. Mas vamos ao que interessa: Rosie Daniels, depois de sofrer 14 longos anos em um casamento infeliz e cheio de violência (há quem seja feliz com violência, mas isso já é outra história…) com o policial Norman, uma bela manhã resolve dar no pé. O motivo? Uma simples gotinha de sangue seco na fronha do travesseiro. Já por esse começo digo que é bem bacana essa parte, o quanto a gente pode aguentar de alguém e algo minimamente ruim pode ser a gota d’água que transborda o copo. Enfim, ela parte e ainda levando o cartão do banco do cara. Rosie está destroçada, depois de tudo que aguentou em quase duas décadas de vida desperdiçadas ao lado de um maluco, covarde e sádico. Vai parar em uma cidade a 1400 quilômetros de onde morava, conhece uma entidade que auxilia mulheres vítimas de quaisquer tipos de abuso e começa a tentar refazer sua vida. Faz muitas amigas nesse abrigo, o Filhas & Irmãs. Arruma um emprego em um hotel, descobre um talento incomum para um novo emprego, conhece um rapaz… enquanto isso Normie começa sua caçada pela vagabunda que teve a audácia de ir embora levando seu cartão do banco. Muitos detalhes do destino o favorecem nessa busca.
   Nesse meio tempo, Rosie é apresentada a um quadro fascinante: Rose Madder. Bom, e é aí que a coisa degringola no enredo, a meu ver. Não sei se esperava que houvesse um momento de Norman se ferrando pela mão da ex-esposa por meios cruéis, ou ele preso e sendo enrabado, só sei que a história foi tomando um rumo muito sem noção, e ela tinha tudo para ser um livro e tanto. Mais um do mestre King. Porém não rolou… sei que o atraente nele é exatamente o incomum, o sobrenatural, seja qual for o sentido. Mas aqui eu tenho a impressão de que ele escreveu o livro todo doidão e sem conhecimento do que tava fazendo. É legal o lance do quadro, de ter uma história para ele. Mas ficou com um sentido de fantasia tosca, não causou medo e eu sempre espero medo das obras dele. Aqui o mais chocante foi o relato do Norman estuprando a mulher com uma raquete de tênis…
   Não sei qual foi a intenção do Stephen King com Rose Madder, o que ele esperava desse livro, um dia espero eu mesma indagá-lo quanto a isso. A história é nota 10 em quesito chocante, nojento. O que bate com o que ele declarou numa entrevista. Chocar está entre os 3 objetivos dele com uma história. É também muito engraçada, porque eu não pude deixar de rir dos desvarios do cara… o que é a briga dele com a Gertie, haha. Nessa história somos apresentados a uma personagem secundária que será um dos destaques de uma futura obra a sair em 2001. Mesmo com pontos positivos, o negativo pesa mais a meu ver. Principalmente a falta de conexão com a realidade… mas estamos falando de King! Sim, meu amigo, e mesmo assim poderás concordar que é meio sem sentido o cara ter tomado uma bela surra, ter quebrado costelas, matado com requintes de crueldade dois policiais armados, matar uma cambada sem ser notado… pô, eu esperava mais dessa obra. Mas o que pesou mesmo foi eu acreditar que Rosie daria o troco no babaca. Que nada! Foi preciso ele entrar numa pintura e o negócio virar delírio… então OUTRA pessoa deu cabo dele. Isso foi muito decepcionante. A vingança era dela, não achei justo, como mulher. A cereja do bolo tinha que ter sido dela.
   Bom, o que é um livro ruim (minha opinião, mais uma vez reforço) perto de tantos mais EXTRAORDINÁRIOS? Vem mais resenhas de obras dele aí, e essas eu adianto que são bem positivas. Enquanto elas não chegam, vamos trocar idéias?

O Que Esperar de “Doctor Sleep” – Stephen King

   Nas palavras do próprio Tio King:
   Os críticos têm sido muito gentis em relação ao 11/22/63, e eles dizem que eu estou me afastando de toda aquela coisa do terror. Eles não vão saber o que os acertou com Dr. Sleep. Esse é um livro extremamente assustador.”
   Pois é gente. Não é novidade para ninguém, seja este fã de SK ou apenas amante de um bom livro de terror, que nosso tão amado escritor concluiu ano passado o rascunho da continuação de O Iluminado, lançado em 1977 e uma das campeãs de obras mais vendidas. Doctor Sleep tem lançamento previsto para 24 de setembro de 2013 (sim, falta tudo isso ainda!!) e conta um pouco do tempo passado por Wendy e Danny após os pavorosos acontecimentos no Hotel Overlook. Logo após somos apresentados a um Daniel Torrance crescido nos seus 40 anos, vivendo em uma pequena comunidade em New Hampshire. Lá ele auxilia os pacientes em estado terminal a passarem para o outro lado – em suma, a morrer, evitando aqui a linguagem eufemista – tranquilamente. Daí o título. Muito embora puéssemos desconfiar, se presumíssemos uma continuação futura na época em que lemos o romance, que o garotinho pudesse levar a profissão de Doutor. Danny enfrenta constantemente seus demônios interiores, revivendo todo o seu terrível passado enquanto leva sua vida trabalhando no hospício da comunidadezinha. As coisas mudam quando ele conhece a garotinha Abra Stone, que como ele também é “iluminada”. Depara-se então com uma tribo bizarra de criaturas que possuem a capacidade de sugar essa energia psíquica dos iluminados. Uma grande batalha entre o bem e o mal será travada. Enquanto ficamos nessa mega expectativa, deixo para vocês algumas boas informações. Sim, sei que sou um pontinho mínimo dentre tantos que estão ávidos por este romance, talvez mais ansiosamente esperado do que mais um volume da série A Torre Negra – e já vou avisando, li só até o V, há bastante tempo. Quero relê-la desde o primeiro volume, então não me venham com spoilers nos comments -.
   Início lido por King em fevereiro do ano passado:
  “No segundo dia de Dezembro do ano de 1977, um dos grandes hotéis resorts do Colorado queimou até o chão.
   O Overlook foi declarado com perda total depois de uma investigação do marechal dos bombeiros. O corpo de bombeiros declarou que a causa tinha sido uma caldeira com defeito. O hotel foi fechado para o inverno, quando ocorreu o acidente, e apenas quatro pessoas estavam presentes. Três sobreviveram.
   O zelador de inverno, John Torrance foi morto durante uma frustrada e heróica tentativa para soltar a pressão da caldeira de vapor, que havia chegado a um nível desastrosamente elevado, devido a uma válvula de alívio inoperante. Dois dos sobreviventes foram a esposa e filho do zelador. A terceira pessoa foi o chef do Overlook, Richard Halloran, que tinha deixado seu emprego de temporada na Flórida e veio para verificar os Torrances por causa, do que ele chamou de “um palpite forte” que a família estava em apuros.
   Os adultos sobreviventes escaparam muito feridos da explosão, somente a criança não se feriu – fisicamente, pelo menos.
Wendy Torrance e seu filho receberam uma quantia em dinheiro, cedida pela empresa proprietária do Overlook. Não era grande coisa, mas o suficiente para sustentá-los bem durante os três anos que ela ficaria sem trabalhar por causa de lesões nas costas. Ela consultou um advogado que lhe disse que se ela estivesse disposta a resistir e jogar duro, ela iria ganhar mais – talvez muito mais – porque a coorporação estava ansiosa por evitar um processo judicial.
Mas ela, assim como a coorporação, só queria deixar o inverno desastroso no Colorado para trás. Ela iria se recuperar, ela disse, e o fez, apesar dos seus ferimentos nas costas terem a atormentado até o fim de sua vida. Vértebras despedaçadas e costelas quebradas podem ser curadas, mas nunca param de doer.
   Winnifred e Daniel Torrance viveram em Maryland por um tempo e depois se mudaram para Tampa. Às vezes, Dick Halloran, aquele dos palpites poderosos, vinha de Key West para conversar com eles – para visitar o jovem Danny especialmente. Eles tinham uma certa ligação.
Em uma manhã, no início de março de 1981, Wendy ligou para Dick e perguntou se ele poderia vir. Danny, disse ela, havia acordado no meio da noite e disse-lhe para não entrar no banheiro. Depois disso, ele se recusou a falar qualquer coisa.
Ele acordou com vontade de fazer xixi e um vento forte soprava lá fora. Estava quente – na Flórida era quase sempre quente – mas ele não gostava do som e supunha que nunca iria gostar. Ele lembrava o Overlook, onde o defeito da caldeira tinha sido o mínimo dos perigos.
Ele e sua mãe moravam em um cortiço, em um pequeno apartamento no segundo andar. Danny saiu do quartinho, ao lado do de sua mãe e atravessou o corredor. O vento soprava, e as folhas de uma palmeira morta batiam ao lado do edifício. O som era esquelético.
   Eles sempre deixavam a porta do banheiro aberta quando ninguém estava usando, porque a fechadura estava quebrada. Agora estava fechada – não porque sua mãe estava lá. Graças as lesões faciais sofridas no Overlook, ela agora roncava – um suave som de “queep, queep” – e ele podia ouvi-lo vindo do quarto.
Bem – ele pensou – ela fechou-a por acidente, é só isso.
   Porém, ele agora entendia o que acontecia. Ele era um menino de palpites e intuições poderosas, mas às vezes você tinha que saber. Às vezes, você tinha que ver. Isso era algo que ele havia aprendido no Overlook, em um quarto no segundo andar.
Estendendo um braço que pareceu muito longo, muito elástico e sem osso, ele girou a maçaneta e abriu a porta.
   A mulher do quarto 217 estava lá, como ele previu que estaria. Ela estava sentada nua na privada, com as pernas e coxas pálidas e inchadas. Seus seios pendiam como balões vazios. O cabelo abaixo do seu estômago era cinza. Seus olhos também eram cinzentos, como espelhos de aço.
Ela o viu e seus lábios se esticaram em um sorriso.
Feche os olhos – Dick Halloran disse uma vez – Se você vir alguma coisa ruim, feche os olhos e diga a si mesmo que não há nada ali e quando abri-los novamente, aquilo terá ido embora. Mas não havia funcionado no quarto 217 quando ele tinha cinco anos e não iria funcionar agora quando ele tinha oito. Ele sabia disso. Ele podia sentir o cheiro dela, ela estava apodrecendo.
   A mulher – ele sabia o nome dela, era a Sra. Massey – levantou-se sobre os pés roxos estendendo as mãos para ele. A carne em seus braços pendiam, quase escorrendo. Ela estava sorrindo do jeito que se faz quando você vê um velho amigo, ou talvez, algo bom para comer.
Com uma expressão que poderia parecer calma, Danny fechou a porta suavemente e deu um passo para trás. Ele observou quando a maçaneta virou para a direita, esquerda, direita de novo e então parou. Ele tinha 8 anos agora e era capaz de, pelo menos, ter algum pensamento racional em meio ao horror – em parte porque em algum lugar profundo de sua mente, ele estava esperando por isso, embora pensasse que seria Horace Derwent que acabaria por aparecer, ou talvez o barman, que o pai havia chamado de Lloyd. Ele supôs que deveria saber que seria a Sra. Massey, mesmo antes de finalmente acontecer.
   Porque, de todas as coisas mortas-vivas no Overlook, ela tinha sido a pior.”
  
   “Pelas estradas cruzando a América, uma tribo de pessoas chamada ‘O Laço Verdadeiro’ viaja em busca de subsistência. Eles parecem inofensivos – a maioria é formada de velhos, usando montes de poliéster, casados com seus Veículos Recreativos. Mas como Dan Torrance sabe, e a garotinha Abra Stone acaba por aprender, O Laço Verdadeiro é um clã de quase-imortais, vivendo do ‘vapor’ que as crianças com poderes de ‘iluminado’ produzem enquanto são lentamente torturadas até a morte.
Assombrado pelos habitantes do Hotel Overlook onde passou um aterrorizante ano de sua infância, Dan tem vagado errante por décadas, desesperado para verter o legado de angústia, alcoolismo, e violência de seu pai. Finalmente, ele se finca em uma cidade de Nova Hampshire, uma comunidade de alcoólatras anônimos que o sustenta, e lhe dá um trabalho em um lar hospitalar onde o que sobrou de seus poderes de ‘iluminado’ providenciam um conforto final e crucial para aqueles que estão morrendo. Ajudado por um gato presciente, ele se torna o ‘Doutor Sono’.
Então Dan conhece a evanescente Abra Stone, e seu dom espetacular, o mais brilhante poder de iluminado já visto, que resgata os próprios demônios de Dan e o invoca para batalhar pela alma e sobrevivência de Abra. Esta é uma batalha épica entre o bem e o mal, uma história sangrenta e gloriosa que emocionará milhões de leitores hiper-devotados de O Iluminado e satisfará qualquer um que seja novato ao território deste clássico ícone dos trabalhos de King”.

Resenha “O Meu Pé de Laranja Lima” – José Mauro de Vasconcellos

   “No Natal, às vezes nasce o Menino Diabo”. É assim que abre a primeira parte dessa obra comovente, escrita pelo aventureiro José Mauro de Vasconcellos. O que parecia ser a narrativa de mais uma de suas grandes aventuras acaba sendo as mais tristes memórias que alguém poderia ter de sua infância.

   Lançamento: 1968
  Autor: José Mauro de Vasconcellos
  Páginas: 192
  Editora: Melhoramentos

   José Mauro, mais conhecido como Zezé, é um garoto de seis anos incompletos que vive em Bangu-RJ. Possui muitos irmãos, e sua família está vivendo um momento de grande pobreza, devido à demissão de seu pai do emprego que sustentava a casa. Isso obriga sua mãe e irmãs mais velhas a trabalharem incansavelmente na fábrica da cidade. Nosso camarada é um garoto muito curioso, inteligente, sempre querendo descobrir coisas e mais coisas. Difere muito de seus irmãos, todos morenos e puxados do lado indígena de sua mãe. É louro e muito miudinho… mas não se engane, ele é o mais arteiro dos meninos de Bangu, sendo muitas vezes duramente castigado pelos pais e irmãos. Zezé sonha ser artista de cinema, e não perde um filme de faroeste.
   A situação financeira da família piora e se vêem obrigados a mudar-se para uma casa menor e mais econômica. É lá que Zezé conhece Minguinho, o pé de laranja lima mais simpático e divertido de todos os tempos. Os dois formam uma amizade forte e é nele que Zezé encontra alguém com quem possa falar de seus sonhos, desejos, medos. Sempre após uma surra, nosso amigo ia para o quintal conversar com o amigo.
   O que pode parecer apenas mais uma autobiografia de um escritor brasileiro notável, na verdade é a visão de um garotinho sobre a dureza que a vida é para alguns, e o quanto podemos aprender com isso. Nosso gato ruço, como é chamado por sua irmã, Glória – a favorita de Zezé, e loura como ele -, foi ensinado desde cedo que as coisas eram difíceis e era complicado mudar. Tendo tantos irmãos, às vezes mal tinham o que comer. Por Zezé ser muito arteiro, vivia levando surras memoráveis. O que era para ser algo disciplinar acaba transparecendo como maldade dos adultos, a própria família de Zezé. Com pai e mãe sempre ausentes, o garoto foi criado por Glória. Vê o espaço paterno ser preenchido pelo amigo Portuga, Manuel Valadares. Esse garotinho é tão sedento de ternura que agarra-se ao amigo de uma forma que faz o coração da gente doer e sorrir ao mesmo tempo. Zezé passa a tê-lo como sua única família, tendo chegado a pedir para que Portuga o adotasse como filhinho. O garoto encontra nele o bálsamo contra a ferida que carrega no peito, a crueldade, maldade de seus próprios parentes. A vida passa a ter cor para o garoto. Mas então as coisas mudam de uma maneira inesperada… terás que ler para saber.
   Esse foi um livro que marcou minha infância de uma forma que nenhum outro irá marcar. A gente sofre junto com Zezé, chega a sentir a dor das surras que ele leva. Uma das maiores lições de amor lidas nas páginas amareladas pelo tempo foi a preocupação do garoto de que seu irmãozinho, o Rei Luís, não ganhasse um presente de Natal. Mesmo não ganhando nada para si ele deu um jeitinho de presentear o irmãozinho que gostava tanto.
   Meu Pé de Laranja Lima foi adaptado para as telonas, em 1970, e para as telinhas, na TV Tupi em 1970, e para a Rede Bandeirantes nos anos 1980 e 1998. Foi publicado em 19 países e traduzido para 32 idiomas. Chegou a ser publicado na Coréia em 2003, em forma de quadrinhos, tendo obtido bastante sucesso. Foi o livro, de longe, mais famoso de nosso estimado José Mauro.

Resenha “É Agora… ou Nunca” – Marian Keyes

   E se você tivesse apenas mais uma chance para ser feliz? Uma única chance antes que sua vida acabasse? É com esse questionamento que Marian Keyes nos apresenta É Agora… Ou Nunca.

   Livro: É Agora… ou Nunca

   Título Original: Last Chance Saloon

   Autora: Marian Keyes

   Páginas: 588 páginas

   Gênero: Chick Lit

   Ano: 2006

   Editora: Bertrand Brasil

   Engraçado este ser o livro que abre o Leituras Bacanudas. Não segui ordem cronológica de lançamento das obras dessa excelente escritora, tampouco ordem de preferência. Mas passa bem perto, ele perde apenas para Casório?. Nele, Marian nos apresenta três amigos inseparáveis, Katherine, Tara e Fintan, vindos diretamente de Knockavoy (confins da Irlanda, meus caros) para Londres. Katherine é a “certinha” do trio, uma mulher centrada e bem resolvida… pelo menos à primeira vista. Com seu corpo esbelto e roupas de grife, exibe sempre uma auto-confiança inabalável e despreza os homens. Já Tara é a que não consegue viver sem homem. Gordinha, sempre comendo ou pensando em comida, mora há dois anos com seu namorado Thomas, cara que nenhum dos seus amigos gosta ou aprova para ela. Fintan é o único que realmente é feliz na sua vida pessoal. O mais velho dos três amigos, ele é um homossexual muito bem resolvido, casado com o arquiteto Sandro, o “pônei italiano”. Trabalha com uma estilista biruta e drogada, mas ama seu emprego. Tem também a Liv, sueca deprê que dividia o apartamento com Tara e Katherine.

   Cada um tem sua vida e sua rotina, mas são tão ligados que sempre dão um jeito de estarem juntos. E a vida corria muito bem na sua normalidade até Fintan cair doente. Paira no ar a ameça do HIV, mas para surpresa geral o melhor amigo das garotas está com câncer. Temendo estar à beira da morte, Fintan faz um pedido às amigas. Tara deve terminar seu relacionameto com o horroroso Thomas e Katherine deverá “sair da geladeira”, deixando de lado seu desprezo pelo sexo masculino. E agora, será que elas realizarão o talvez último pedido do melhor amigo? Terão de ler para descobrir.

   Longe de ser um livreco cheio de sentimentalismos, o quinto romance de Marian é uma verdadeira lição de vida. Aborda maravilhosamente bem temas como o aborto, a depressão, a comodidade num relacionamento sem futuro, a luta contra o câncer e seu tão doloroso tratamento, o preconceito sexual, a força da amizade. Mostra-nos que é sim possível dar a volta por cima.

   Damos também muitas gargalhadas com a história, como os apelidos que os colegas de trabalho de Katherine dão para as funcionárias devido às suas habilidades sexuais. As desventuras de Tara em busca do batom indelével e sua constante obcessão por comida. As tentativas de Lorcan de se tornar um ator super famoso. É de rir até às lágrimas, passamos por tudo que as personagens passam. Sentimos tudo que elas sentem. Passam a ser nossos melhores amigos e você se pega torcendo pelo melhor para eles, que sejam felizes. Esse é o sentimento que a obra passa. E a energia é muito boa. Se existe mesmo a tal de terapia, você a escontrará nessas 588 páginas. Posso lhe prometer que não se arrependerá.

   Pela minha história pessoal de vida, esse livro significa muito. Foi o primeiro que eu li no momento mais importante e especial desses meus vinte anos de existência. E não, não comecei por Melancia. Na verdade, sequer fazia idéia que a autora era tão famosa.

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