O Que Esperar de “Doctor Sleep” – Stephen King

   Nas palavras do próprio Tio King:
   Os críticos têm sido muito gentis em relação ao 11/22/63, e eles dizem que eu estou me afastando de toda aquela coisa do terror. Eles não vão saber o que os acertou com Dr. Sleep. Esse é um livro extremamente assustador.”
   Pois é gente. Não é novidade para ninguém, seja este fã de SK ou apenas amante de um bom livro de terror, que nosso tão amado escritor concluiu ano passado o rascunho da continuação de O Iluminado, lançado em 1977 e uma das campeãs de obras mais vendidas. Doctor Sleep tem lançamento previsto para 24 de setembro de 2013 (sim, falta tudo isso ainda!!) e conta um pouco do tempo passado por Wendy e Danny após os pavorosos acontecimentos no Hotel Overlook. Logo após somos apresentados a um Daniel Torrance crescido nos seus 40 anos, vivendo em uma pequena comunidade em New Hampshire. Lá ele auxilia os pacientes em estado terminal a passarem para o outro lado – em suma, a morrer, evitando aqui a linguagem eufemista – tranquilamente. Daí o título. Muito embora puéssemos desconfiar, se presumíssemos uma continuação futura na época em que lemos o romance, que o garotinho pudesse levar a profissão de Doutor. Danny enfrenta constantemente seus demônios interiores, revivendo todo o seu terrível passado enquanto leva sua vida trabalhando no hospício da comunidadezinha. As coisas mudam quando ele conhece a garotinha Abra Stone, que como ele também é “iluminada”. Depara-se então com uma tribo bizarra de criaturas que possuem a capacidade de sugar essa energia psíquica dos iluminados. Uma grande batalha entre o bem e o mal será travada. Enquanto ficamos nessa mega expectativa, deixo para vocês algumas boas informações. Sim, sei que sou um pontinho mínimo dentre tantos que estão ávidos por este romance, talvez mais ansiosamente esperado do que mais um volume da série A Torre Negra – e já vou avisando, li só até o V, há bastante tempo. Quero relê-la desde o primeiro volume, então não me venham com spoilers nos comments -.
   Início lido por King em fevereiro do ano passado:
  “No segundo dia de Dezembro do ano de 1977, um dos grandes hotéis resorts do Colorado queimou até o chão.
   O Overlook foi declarado com perda total depois de uma investigação do marechal dos bombeiros. O corpo de bombeiros declarou que a causa tinha sido uma caldeira com defeito. O hotel foi fechado para o inverno, quando ocorreu o acidente, e apenas quatro pessoas estavam presentes. Três sobreviveram.
   O zelador de inverno, John Torrance foi morto durante uma frustrada e heróica tentativa para soltar a pressão da caldeira de vapor, que havia chegado a um nível desastrosamente elevado, devido a uma válvula de alívio inoperante. Dois dos sobreviventes foram a esposa e filho do zelador. A terceira pessoa foi o chef do Overlook, Richard Halloran, que tinha deixado seu emprego de temporada na Flórida e veio para verificar os Torrances por causa, do que ele chamou de “um palpite forte” que a família estava em apuros.
   Os adultos sobreviventes escaparam muito feridos da explosão, somente a criança não se feriu – fisicamente, pelo menos.
Wendy Torrance e seu filho receberam uma quantia em dinheiro, cedida pela empresa proprietária do Overlook. Não era grande coisa, mas o suficiente para sustentá-los bem durante os três anos que ela ficaria sem trabalhar por causa de lesões nas costas. Ela consultou um advogado que lhe disse que se ela estivesse disposta a resistir e jogar duro, ela iria ganhar mais – talvez muito mais – porque a coorporação estava ansiosa por evitar um processo judicial.
Mas ela, assim como a coorporação, só queria deixar o inverno desastroso no Colorado para trás. Ela iria se recuperar, ela disse, e o fez, apesar dos seus ferimentos nas costas terem a atormentado até o fim de sua vida. Vértebras despedaçadas e costelas quebradas podem ser curadas, mas nunca param de doer.
   Winnifred e Daniel Torrance viveram em Maryland por um tempo e depois se mudaram para Tampa. Às vezes, Dick Halloran, aquele dos palpites poderosos, vinha de Key West para conversar com eles – para visitar o jovem Danny especialmente. Eles tinham uma certa ligação.
Em uma manhã, no início de março de 1981, Wendy ligou para Dick e perguntou se ele poderia vir. Danny, disse ela, havia acordado no meio da noite e disse-lhe para não entrar no banheiro. Depois disso, ele se recusou a falar qualquer coisa.
Ele acordou com vontade de fazer xixi e um vento forte soprava lá fora. Estava quente – na Flórida era quase sempre quente – mas ele não gostava do som e supunha que nunca iria gostar. Ele lembrava o Overlook, onde o defeito da caldeira tinha sido o mínimo dos perigos.
Ele e sua mãe moravam em um cortiço, em um pequeno apartamento no segundo andar. Danny saiu do quartinho, ao lado do de sua mãe e atravessou o corredor. O vento soprava, e as folhas de uma palmeira morta batiam ao lado do edifício. O som era esquelético.
   Eles sempre deixavam a porta do banheiro aberta quando ninguém estava usando, porque a fechadura estava quebrada. Agora estava fechada – não porque sua mãe estava lá. Graças as lesões faciais sofridas no Overlook, ela agora roncava – um suave som de “queep, queep” – e ele podia ouvi-lo vindo do quarto.
Bem – ele pensou – ela fechou-a por acidente, é só isso.
   Porém, ele agora entendia o que acontecia. Ele era um menino de palpites e intuições poderosas, mas às vezes você tinha que saber. Às vezes, você tinha que ver. Isso era algo que ele havia aprendido no Overlook, em um quarto no segundo andar.
Estendendo um braço que pareceu muito longo, muito elástico e sem osso, ele girou a maçaneta e abriu a porta.
   A mulher do quarto 217 estava lá, como ele previu que estaria. Ela estava sentada nua na privada, com as pernas e coxas pálidas e inchadas. Seus seios pendiam como balões vazios. O cabelo abaixo do seu estômago era cinza. Seus olhos também eram cinzentos, como espelhos de aço.
Ela o viu e seus lábios se esticaram em um sorriso.
Feche os olhos – Dick Halloran disse uma vez – Se você vir alguma coisa ruim, feche os olhos e diga a si mesmo que não há nada ali e quando abri-los novamente, aquilo terá ido embora. Mas não havia funcionado no quarto 217 quando ele tinha cinco anos e não iria funcionar agora quando ele tinha oito. Ele sabia disso. Ele podia sentir o cheiro dela, ela estava apodrecendo.
   A mulher – ele sabia o nome dela, era a Sra. Massey – levantou-se sobre os pés roxos estendendo as mãos para ele. A carne em seus braços pendiam, quase escorrendo. Ela estava sorrindo do jeito que se faz quando você vê um velho amigo, ou talvez, algo bom para comer.
Com uma expressão que poderia parecer calma, Danny fechou a porta suavemente e deu um passo para trás. Ele observou quando a maçaneta virou para a direita, esquerda, direita de novo e então parou. Ele tinha 8 anos agora e era capaz de, pelo menos, ter algum pensamento racional em meio ao horror – em parte porque em algum lugar profundo de sua mente, ele estava esperando por isso, embora pensasse que seria Horace Derwent que acabaria por aparecer, ou talvez o barman, que o pai havia chamado de Lloyd. Ele supôs que deveria saber que seria a Sra. Massey, mesmo antes de finalmente acontecer.
   Porque, de todas as coisas mortas-vivas no Overlook, ela tinha sido a pior.”
  
   “Pelas estradas cruzando a América, uma tribo de pessoas chamada ‘O Laço Verdadeiro’ viaja em busca de subsistência. Eles parecem inofensivos – a maioria é formada de velhos, usando montes de poliéster, casados com seus Veículos Recreativos. Mas como Dan Torrance sabe, e a garotinha Abra Stone acaba por aprender, O Laço Verdadeiro é um clã de quase-imortais, vivendo do ‘vapor’ que as crianças com poderes de ‘iluminado’ produzem enquanto são lentamente torturadas até a morte.
Assombrado pelos habitantes do Hotel Overlook onde passou um aterrorizante ano de sua infância, Dan tem vagado errante por décadas, desesperado para verter o legado de angústia, alcoolismo, e violência de seu pai. Finalmente, ele se finca em uma cidade de Nova Hampshire, uma comunidade de alcoólatras anônimos que o sustenta, e lhe dá um trabalho em um lar hospitalar onde o que sobrou de seus poderes de ‘iluminado’ providenciam um conforto final e crucial para aqueles que estão morrendo. Ajudado por um gato presciente, ele se torna o ‘Doutor Sono’.
Então Dan conhece a evanescente Abra Stone, e seu dom espetacular, o mais brilhante poder de iluminado já visto, que resgata os próprios demônios de Dan e o invoca para batalhar pela alma e sobrevivência de Abra. Esta é uma batalha épica entre o bem e o mal, uma história sangrenta e gloriosa que emocionará milhões de leitores hiper-devotados de O Iluminado e satisfará qualquer um que seja novato ao território deste clássico ícone dos trabalhos de King”.
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Sobre Bezerrinha

Leitora compulsiva, blogueira, cozinheira, ocasionalmente escritora e colunista literária de alguns sites. Prazer, Marcela. Para os mais chegados, Bezerrinha.

Publicado em 31 de janeiro de 2013, em Literatura Estrangeira, Livros, Próximos Lançamentos e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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