Resenha “Rose Madder” – Stephen King

   Vamos falar sobre vingança? Haha, ok, não vou dizer que essa obra se resuma em pura e simples vingança. Talvez se assim fosse eu não tivesse me decepcionado um pouco…

  Título Original: Rose Madder
  Número de Páginas: 379
  Autor: Stephen King
  Gênero: Suspense, Drama, Fantasia
  Ano de Lançamento: 1996

   Comecemos pela sinopse. Aliás, curioso isso, muita gente detesta ler a sinopse de livros, ou aquilo que chamamos de orelha. Tem também a contracapa. Conheço bem um cara que não gosta. Mas vamos ao que interessa: Rosie Daniels, depois de sofrer 14 longos anos em um casamento infeliz e cheio de violência (há quem seja feliz com violência, mas isso já é outra história…) com o policial Norman, uma bela manhã resolve dar no pé. O motivo? Uma simples gotinha de sangue seco na fronha do travesseiro. Já por esse começo digo que é bem bacana essa parte, o quanto a gente pode aguentar de alguém e algo minimamente ruim pode ser a gota d’água que transborda o copo. Enfim, ela parte e ainda levando o cartão do banco do cara. Rosie está destroçada, depois de tudo que aguentou em quase duas décadas de vida desperdiçadas ao lado de um maluco, covarde e sádico. Vai parar em uma cidade a 1400 quilômetros de onde morava, conhece uma entidade que auxilia mulheres vítimas de quaisquer tipos de abuso e começa a tentar refazer sua vida. Faz muitas amigas nesse abrigo, o Filhas & Irmãs. Arruma um emprego em um hotel, descobre um talento incomum para um novo emprego, conhece um rapaz… enquanto isso Normie começa sua caçada pela vagabunda que teve a audácia de ir embora levando seu cartão do banco. Muitos detalhes do destino o favorecem nessa busca.
   Nesse meio tempo, Rosie é apresentada a um quadro fascinante: Rose Madder. Bom, e é aí que a coisa degringola no enredo, a meu ver. Não sei se esperava que houvesse um momento de Norman se ferrando pela mão da ex-esposa por meios cruéis, ou ele preso e sendo enrabado, só sei que a história foi tomando um rumo muito sem noção, e ela tinha tudo para ser um livro e tanto. Mais um do mestre King. Porém não rolou… sei que o atraente nele é exatamente o incomum, o sobrenatural, seja qual for o sentido. Mas aqui eu tenho a impressão de que ele escreveu o livro todo doidão e sem conhecimento do que tava fazendo. É legal o lance do quadro, de ter uma história para ele. Mas ficou com um sentido de fantasia tosca, não causou medo e eu sempre espero medo das obras dele. Aqui o mais chocante foi o relato do Norman estuprando a mulher com uma raquete de tênis…
   Não sei qual foi a intenção do Stephen King com Rose Madder, o que ele esperava desse livro, um dia espero eu mesma indagá-lo quanto a isso. A história é nota 10 em quesito chocante, nojento. O que bate com o que ele declarou numa entrevista. Chocar está entre os 3 objetivos dele com uma história. É também muito engraçada, porque eu não pude deixar de rir dos desvarios do cara… o que é a briga dele com a Gertie, haha. Nessa história somos apresentados a uma personagem secundária que será um dos destaques de uma futura obra a sair em 2001. Mesmo com pontos positivos, o negativo pesa mais a meu ver. Principalmente a falta de conexão com a realidade… mas estamos falando de King! Sim, meu amigo, e mesmo assim poderás concordar que é meio sem sentido o cara ter tomado uma bela surra, ter quebrado costelas, matado com requintes de crueldade dois policiais armados, matar uma cambada sem ser notado… pô, eu esperava mais dessa obra. Mas o que pesou mesmo foi eu acreditar que Rosie daria o troco no babaca. Que nada! Foi preciso ele entrar numa pintura e o negócio virar delírio… então OUTRA pessoa deu cabo dele. Isso foi muito decepcionante. A vingança era dela, não achei justo, como mulher. A cereja do bolo tinha que ter sido dela.
   Bom, o que é um livro ruim (minha opinião, mais uma vez reforço) perto de tantos mais EXTRAORDINÁRIOS? Vem mais resenhas de obras dele aí, e essas eu adianto que são bem positivas. Enquanto elas não chegam, vamos trocar idéias?

Sobre Bezerrinha

Leitora compulsiva, blogueira, cozinheira, ocasionalmente escritora e colunista literária de alguns sites. Prazer, Marcela. Para os mais chegados, Bezerrinha.

Publicado em 31 de janeiro de 2013, em Literatura Estrangeira, Livros, Resenhas, Resenhas Literárias e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Concordo com tudo o que foi dito. Adoro o King, mas ele errou feio nesse livro. Se tirasse a doidera do quadro, o livro seria bem melhor. Mas King também errou em outros livros, como “Celular”. Acho que isso acontece quando se escreve livros demais, alguns acabam saindo do caminho.

  2. esse livro é uma bosta, nem parece SK…

  3. não fala bobagem Celular foi o melhor livro que ele já escreveu.

  4. Concordo contigo em partes, Sr. Nem todos os livros de um excelente escritor sairão bons. Ou até podem ser, porém não se destacam, não brilham como os de maior sucesso. A absoluta genialidade não se faz presente em todas as obras dele, porém é exatamente por esse motivo que o faz ser tão bom. E ele reconhece isso.

    Agora, discordo que “Celular” se assemelhe a “Rose Madder”. Para mim, foi de uma genialidade incrível, as teorias do Pulso. Apenas um acontecimento foi desnecessário, a meu ver.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: