Resenha Livro “A Zona Morta” – Stephen King

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   Título Original: The Dead Zone

   Autor: Stephen King

   Editora: Abril Cultural

   Gênero: Religião, Sobrenatural, Terror

   Páginas: 389

   Ano: 1985

   Sinopse: Jonny Smith é um simplório professor secundário, acorda de um coma de cinco anos aparentemente sem sequelas, a não ser por uma área de seu cérebro danificada, que o impede de reconhecer certos objetos. Os médicos dão a essa área o nome de zona morta.
Mas a zona morta abriga muito mais do que memórias esquecidas. Por conta dela, Johnny desenvolve o poder de prever o futuro. Isso támbem é sua condenação – nela cresce um tumor que rapidamente suga suas energias.
Após conhecer Greg Stillson, um inescrupuloso candidato a deputado, Johnny tem terríveis visões do político como presidente dos Estados Unidos e o país mergulhando numa guerra nuclear. Perturbado, ele terá que enfrentar o difícil dilema: sofrer em silêncio, sabendo das tragédias que virão, ou matar Stillson, numa desesperadatentativa de impedir a catástrofe prenunciada. 

   Terceiro romance do mestre King, Zona Morta já me atraiu pelo enredo: um rapaz que pode ler pensamentos, prever o futuro ou enxergar o passado de algo ou alguém simplesmente pelo toque. Bom, quem não curtiria ler pensamentos? Eu nesse momento gostaria, enfrentei um momento de turbulências no trabalho com uma colega e ex-amiga. Dá sempre aquela vontade de entender o que se passa na cabeça de um sacana, apropriando-me do termo que parece ser o preferido de Greg Stilson, haha. ZM é um romance paranormal? É, sim. Um romance que ressalta o tema do fanatismo religioso? É, sim. É uma história de amor? É, sim. Mas também, e notavelmente, é uma obra política. Não sei como SK tem esse dom de escrever – e escrever muito bem – sobre todo e qualquer tema que aparecer na sua frente. O cara entrou no universo da politicagem, e entrou com tudo. Nota máxima para ele!

   A princípio, eu julguei que a história teria como tema os assassinatos, e que Johnny desvendaria o mistério, que tornaria Sarah sua esposa, teriam filhinhos e eras isso. Cheguei até a cogitar a hipótese de o marido de Sarah ser o assassino, assim ele já virava carta fora do baralho (mas nunca deixei um segundinho de suspeitar das intenções do sacana do Stilson!). E então eu lembrei: cara, to falando do King. Isso nunca aconteceria. E de fato, estava certa. Meu excelentíssimo torturou-me bastante por ter lido antes de mim. Esse livro me marcou da mesma forma que Carrie marcou: foi dramático demais, doloroso demais. O sobrenatural, o mistério, foram deixados de lado pelo drama, pela tristeza da história. Aquela dor de desejar que pequenos fatos não se consumassem para que a desgraça toda não acontecesse. De desejar que Johnny ficasse na casa de Sarah cuidando dela, ou de que ele tivesse procurado ver se não houvera sequelas do acidente na sua cabeça, além da óbvia paranormalidade. Provavelmente quando vocês lerem a obra, viverão as páginas com o “Se” em mente. Passei por isso no momento em que terminei a parte do acidente da infância.

   Zona Morta está bem longe de ser meu livro favorito, por tratar muito de política. Eu odeio esse tema, acho muito sacal. Creio que se a história fosse mesmo centrada nos assassinatos, com mais ação, eu teria gostado muito mais. No entanto, não chega nem aos pés de Rose Madder no quesito “eu poderia ter passado sem ler”, por exemplo. A meu ver, é um romance que é legalzinho, com um tema bacana de se explorar, mas nada que te prenda.

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Sobre Bezerrinha

Leitora compulsiva, blogueira, cozinheira, ocasionalmente escritora e colunista literária de alguns sites. Prazer, Marcela. Para os mais chegados, Bezerrinha.

Publicado em 1 de março de 2013, em Literatura Estrangeira, Livros, Resenhas, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Olha… Tenho que dizer que a partir do segundo paragrafo ficou muito legal o seu texto, falaste coisas que são muito reais e que realmente acontecem com o leitor. Mas tenho que dizer 2 coisas: Não conte o final em sinopses (se não for sua cite o autor) e a segunda coisa é que se achou ZM um livro ” …legalzinho, com um tema bacana de se explorar, mas nada que te prenda.” tá precisando deixar de lado esses livros de mulherzinhas e ler coisa mais consistente. SK em ZM dá uma aula de literatura, politica e como você muito bem disse “ses”. Ainda bem que não virou uma história de detetive apenas, pra isso existe Agatha Christie. Então eras isso, discordo, mas acho que tu escreves muito bem tuas resenhas. Azar é do goleiro se não gostar =Pp

    • Obrigada pela dica!
      Sei de tudo isso, e sei também que este é um dos teus livros favoritos, porém não muda o fato de que curto coisas fortes nesse mundo do terror e sobrenatural. O livro foi muito bem escrito, como enfatizei, porém não foi essa Coca-Cola toda. Não gosto de política, um dos motivos de não estar curtindo tanto como eu esperava a leitura de The Casual Vacancy, por exemplo. E não mistures as coisas, Saul. Chick Lit é uma coisa, um mundo totalmente diferente. Pra ti teres uma ideia, meus livros favoritos de todos os tempos são de SK, e ditos como os mais bem escritos e violentos. O favorito, The Stand, é o mais discutido em todos os eventos nos quais ele está presente.
      Mas adorei teu comentário, nada se é feito só de comentários bajuladores. 🙂
      Um beijão!

  2. Embora um dia eu – não gosto muito de repetir livro – gostaria de relê-lo para ver o que acharia dele hoje em dia. Se continuaria sendo meu livro favorito do SK. ZM me ganhou mesmo eu só comprando ele por ser 10 pila, porque pela sinopse da contracapa odiei a historia, achei babaca, mas o jeito que o tio King conduz a história nos fazendo vivenciar muitas derrotas de JS que jamais gostaríamos para nós e o jeito humano consistente como poucos livros alcançam com sucesso me ganharam por inteiro. Nem acho que seja um livro politico – alias se nao gosta fique longe de muitos livros de SK, como o 11/69, é esse o nome? hehe -, e ele consegue ser bem divertido e multitemático. Sei lá, nunca vou estar preparado para nçao gostarem dele. Relerei algum dia e espero com uma esperança medrosa que sinta-me como na minha primeira vez…

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