Resenha Livro “Morte Súbita” – J.K. Rowling

casual
   Título Original: The Casual Vacancy
   Autor: J. K. Rowling
   Editora: Nova Fronteira
   Gênero: Ficção Inglesa
   Páginas: 501
   Ano: 2012
   Sinopse: Após a morte inesperada de um dos conselheiros distritais do pequeno vilarejo de Pagford, diversas disputas iniciam-se pelo seu lugar no Conselho. Muitos personagens e segredos são revelados, mostrando que o lugarzinho tranquilo esconde muita sujeira embaixo do seu tapete acolhedor de boas-vindas…
   Não sei se vou conseguir reproduzir aqui exatamente o que estou sentindo depois dessa leitura perturbadora. E fico  me perguntando se os fãs de HP que leram a obra estão sentindo a mesma coisa que eu. Minha primeira observação desde que soube dessa empreitada da J.K. no mundo adulto foi “Iupi, já estava com saudades dela”. Segunda observação ao entrar numa livraria nos últimos meses: “Uau, ela é demais, novamente na lista dos mais vendidos!”. Mas quer saber? Acredito que nem metade dos compradores ficaram satisfeitos. Me arrisco a dizer que muitos nem sequer leram a obra inteira de cara, avidamente como fazemos quando uma boa leitura cai em nossas mãos. Tenho uma amiga que não saiu das 80 páginas ainda (sei que ela vai se reconhecer aqui), e eu mesma ganhei esse livro em fevereiro e só terminei ele ontem, depois de uma parada de  quase duas semanas. Compraram por ter o nome dela na capa e por associarem à série Harry Potter.
Como a gente bem sabe, Morte Súbita é um livro para gente grande mas se tu fores como eu, ou seja, uma bobalhona, e imaginaste o Harry entrando no enredo a cada página, isso é normal. E a autora desejou nos mostrar como as coisas são de verdade, sem nada para embelezar. Fez-nos ver que nem em um mini lugarzinho onde a burguesia impera e de tudo fazem para se livrar do bairro pobre que “mancha a sua reputação” as coisas são realmente bonitas. Todos ali parecem se gostar, são amáveis e queridos uns com os outros, tranquilos… mas sob a superfície existe o que há de mais podre. Com a morte de Barry Fairbrother a podridão começa a vir à tona. Ponto para ela, gostei disso. Achei muito bacana também o fato de não ter um personagem principal exclusivo. Nas 501 páginas, a cada momento um personagem diferente roubava a cena, então tive intimidade com todos eles. Embora bom, pude notar que foi o fato determinante para a obra ter me decepcionado, no seu sentido geral. Acredito que a intenção dela desde o começo da obra foi de nos mostrar que nem sempre o sujeito do bairro rico é bom e o do bairro pobre é ruim. É aí que Krystal Weedon entra em cena: a garota delinquente de Fields. Aquela que desde os doze anos mostrava os peitos pros colegas no fundo da sala de aula. A história dela é triste e difícil, com a sua mãe viciada em heroína e sem a mínima vontade de livrar-se do vício. Ela tinha instintos bons, mesmo que ninguém a visse como boa pessoa. Era muito melhor que aquele velho pançudo do Howard, com a imbecil da sua mulher e o seu filho babão e puxa-saco dos pais. Era melhor do que o ogro do Simon, vivendo a aterrorizar a mulher babaca e os pobres filhos. E nem preciso mencionar o Bola, moleque escroto.
Rowling tentou nos mostrar que o ambiente sempre será determinante na conduta de uma pessoa. Krys no seu interior era boa, mas tínhamos que fazer uma certa força para enxergar isso. Por viver num ambiente daninho, era muito prejudicada; assim como seu irmão. Enquanto que diversas pessoas de Pagford eram cínicas e sujas por dentro, externamente eram exemplos. O seu grande erro foi se ater a tantos detalhes num livro de muitos personagens, com muitas histórias. E detalhes nojentos ainda por cima. E da metade para o final exagerou demais. Claro que ela queria a verdade nua e crua. Mas foi cruel demais, teve páginas em que eu cheguei a me arrepiar de nojo! Para vocês terem uma ideia, ela fez Stephen King, no auge dos seus detalhes repugnantes parecer um adolescente ingênuo, na minha opinião.
Foi aquela velha história: a pessoa vai colocando personagens, histórias, vê que o livro tá ficando imenso e tenta terminar rápido, de qualquer jeito. Eu digo: isso não se faz! Ao terminar tu pensas: mas já? Que final idiota. Nesse não, porque apesar de não esperar que aquilo seja o final, ao terminar a gente sente alívio, com aquele final digno de novela da Televisa. Não sei se ela quis deixar algo mega master adulto, ao mesmo tempo em que não quis nada semelhante a HP, só sei que o exagero imperou nesse livro. Além de muito sem graça. Sou daquelas que quer ter por quem torcer, algo pelo que ansiar. Aqui meu único desejo foi de terminar logo.
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Sobre Bezerrinha

Leitora compulsiva, blogueira, cozinheira, ocasionalmente escritora e colunista literária de alguns sites. Prazer, Marcela. Para os mais chegados, Bezerrinha.

Publicado em 25 de março de 2013, em Literatura Estrangeira, Livros, Resenhas, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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