[Resenha] A Menina Submersa – Caitlín R. Kiernan

 Título Original: The Drowning Girl; a memoir
  Autor:  Caitlín R. Kiernan
  Editora: Darkside
  Gênero: Fantasia/suspense psicológico
  Páginas:  313
  Ano: 2012

Vou escrever uma história de fantasmas agora […]
Nunca julgue um livro pela capa. Nunca mesmo. Você pode ficar positiva ou negativamente surpreso. Quando vi este livro na Cultura, sendo da Darkside e com comentário de ninguém menos que Neil Gaiman, pirei. Enchi o saco que tinha que ter o bendito livro. Consegui. Fui para casa, deitei na cama e comecei a leitura. A Menina Submersa é uma história dentro de uma história, e India Morgan Phelps (Imp para os íntimos), é a maluca mais intrigante que já conheci. A moça tem um histórico triste na família: avó e mãe cometeram suicídio em virtude de sua doença (Esquizofrenia). Imp também herdou a doença, o que significa que se ela não tomar suas pílulas mágicas e se consultar com a psiquiatra responsável, a coisa engrossa consideravelmente para ela.
Imp passa o tempo todo tentando escrever um livro, porém ela possui um talento notável para pintura e desenho, apenas não acredita no seu potencial. Trabalha em uma loja de artigos para pintura. Em um belo dia, conhece Abalyn e de uma forma totalmente curiosa, elas se apaixonam (será que foi assim mesmo? Os relatos de Imp nunca são confiáveis). Sim, Imp é homossexual assumida, e sua namorada, uma transexual até muito bem resolvida nos dias atuais. Gostaria de dizer (e vou dizer mermo) que senti MUITO AMOR por essas duas. Sério gente, elas são tão lindas juntas, o jeito que a Ab cuida da Imp, o cuidado dela com sua doença. O jeito que elas se organizam juntas, o fato de Imp tentar se interessar de verdade pelo trampo da namorada… o relacionamento delas é lindemais!
Nesse meio tempo, fico pensando se realmente li direito que o livro é de terror. É aí que chego na parte negra: Imp tendo uma crise. Sei que vocês estão acostumados a fantasmas e monstros, mas vou dar a real: terror está em toda a parte. Quem não está acostumado com terror psicológico não vai curtir a leitura. Como muitos sabem, Esquizofrenia é uma doença em que confundimos fantasia e realidade. Imp possui uma versão hard dessa doença. É uma luta, uma dificuldade para que ela consiga reunir ideias, pensamentos e memórias para poder escrever o seu livro. Por isso disse que ela passa o tempo todo tentando escrever, é difícil para ela.
No início dessa resenha, disse que não devemos julgar um livro pela capa. Quando eu o vi pela primeira vez, pensei no terror clássico, naquele óbvio ao qual estamos acostumados. Depois de começada a leitura, fui achando tudo muito chato e confuso. Um pouco antes da metade da obra, o jogo vira e começo a compreender tudo. É aí que o puro horror me pega. Você terá de ler para entender.
Fora isso, a tristeza impregna as páginas desse. Imp se sente um lixo por ter herdado a maldita doença de seus antepassados, lutando constantemente para não cair em um buraco negro. E quando as Evas aparecem, as coisas tendem a piorar drasticamente.
Essa foi uma das leituras mais difíceis, porém mais terrivelmente belas que já fiz. Vale a pena viver essa experiência. Vocês estão prontos para viver uma história de fantasmas, sereias e lobos?
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Sobre Bezerrinha

Leitora compulsiva, blogueira, cozinheira, ocasionalmente escritora e colunista literária de alguns sites. Prazer, Marcela. Para os mais chegados, Bezerrinha.

Publicado em 17 de dezembro de 2014, em Literatura Estrangeira, Livros, Resenhas, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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