Arquivo da categoria: Literatura Brasileira

22 Livros para se MORRER ANTES DE LER

   Sei que vocês vão dizer que eu errei o título do post, que na verdade estou recomendando livros para leitura, mas é exatamente o que vocês estão lendo: estou fazendo minha própria lista, depois de ter lido um post bem semelhante no Livros só Mudam Pessoas. Quantas vezes lemos uma obra e ficamos com aquela sensação de que se tivéssemos uma bola de cristal, ou um amigo legal que relatasse suas experiências literárias, a gente teria mais dicernimento na hora de escolher um livro. Não vou passar sinopse de nada, nem vou colocar em ordem nenhuma. Mencionarei obras, que estarão acompanhadas de sua imagem de capa, ponto. Comentem se vocês se identificaram com algum livro, dividam suas experiências. E quem quiser saber meus motivos para incluir algum livro na lista, peçam resenha pelos comentários! Vamos a elas (para quem não sabia, eu li sim, quase todas as obras da Saga Crepúsculo. Tenho muitas críticas a elas, e nenhuma tem a ver com a rixa estúpida entre varinhas e criaturas noturnas):
   Brida – Paulo Coelho
O Monte Cinco – Paulo Coelho
O Diário de um Mago – Paulo Coelho
   
O Alquimista – Paulo Coelho
Crepúsculo – Stephenie Meyer
Lua Nova – Stephenie Meyer
 Eclipse – Stephenie Meyer
Concerto Campestre – Luiz Antônio de Assis Brasil
O Filho Eterno – Cristóvão Tezza
O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
A Educação pela Pedra – João Cabral de Melo Neto
Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo
 Morte Súbita – J. K. Rowling
   
Iracema – José de Alencar
O Guarani – José de Alencar
Rose Madder – Stephen King
Meu Marido Foi Embora. E Agora? – Valeria Araújo
O Dia em que Atirei no Cupido – Jennifer Love Hewitt
Tudo por um Popstar – Thalita Rebouças
Os Assassinatos da Rua Morgue – Edgar Allan Poe
Clara Hutt: Uma Vida de Bandeja – India Knight
O Crime do Padre Amaro – Eça de Queiroz

Resenha Livro “O Filho Eterno” – Cristóvão Tezza

   Livro muito pedido nas leituras obrigatórias dos vestibulares, O Filho Eterno foi muito diferente do que eu esperava como livro brasileiro. Uau, o que você deve estar pensando de mim nesse momento, será que ela não gosta de literatura nacional? Na verdade, pessoal, eu nunca tive interesse, a realidade é essa. Passei tanto tempo encantada com as maravilhosas obras estrangeiras que deixei de lado obras que podem envolver e encantar tanto quanto qualquer outra.

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   Nome: O Filho Eterno

   Autor: Cristóvão Tezza

   Ano: 2007

   Editora: Record

   Páginas: 224

   Sinopse:

   Cristovão Tezza é um dos mais conceituados escritores brasileiros contemporâneos e  O FILHO ETERNO é uma prova disso. O livro é um corajoso relato autobiográfico, narrado em terceira pessoa.

   Na sala de espera, entre um cigarro e outro, o protagonista está prestes a ter seu primeiro filho. Ao ver o médico, ele pergunta se está tudo bem, mas não tem dúvidas da resposta positiva. Em sua cabeça, já imagina o filho com cinco anos, a cara dele.

   Enquanto ainda tenta se acostumar com a novidade de ter se tornado pai, ele tem que se habituar com outra ideia: seria pai de uma criança com síndrome de Down. A notícia o desnorteia e provoca uma enxurrada de emoções contraditórias. “Um filho é a ideia de um filho; uma mulher é a ideia de uma mulher. Às vezes as coisas coincidem com a ideia que fazemos dela, às vezes não.”

   Em O FILHO ETERNO, Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. Aproveita as questões que aparecem pelo caminho nestes 26 anos de seu filho Felipe para reordenar sua própria vida.

   A primeira coisa que me chamou a atenção é que embora a história seja contada em 3ª pessoa ela tem um imenso caráter autobiográfico. E não é que é mesmo? Claro, o Tezza nega veementemente tal constatação, mas não podemos deixar de perceber uma espécie de acerto de contas entre ele e o filho ao longo dessas 224 páginas. A segunda coisa que reparei é que os personagens não têm nome próprio, são chamados de “mãe”, “pai”, “irmã”. Com a exceção de Felipe, o filho. Não deixo de pensar que dessa forma o autor imaginou desassociar o caráter autobiográfico, porém sem muito sucesso. Já comecei a leitura ressabiada, sabendo que o cara não iria aceitar o filho. Mas foi chocante algumas passagens do livro.

   Quando Felipe nasce e o médico declara que ele é portador da Síndrome, o pai começa a ter pensamentos recheados de egoísmo e crueldade de que nada seria mais agradável do que o filho ter alguma complicação e morresse… Opa, mas o que é isso? Sei que na época a síndrome era conhecida como “Mongolismo”, que as pessoas não a recebiam bem e tal, mas um pai renegar um filho a esse ponto me doeu o coração. Ele pensou muito em abandonar a esposa e apagar essa passagem da vida dele, mais covardia, mais egoísmo… Incrível o quanto escrever pode nos fazer pôr para fora nossas piores passagens da vida, nossos lados mais obscuros.

   Uma boa parte da história passa com o pai acreditando que o filho não tem problema algum, nega tudo, se ilude. Muitas páginas são dedicadas a suas memórias de antes de casar, como quando foi para a Europa com uma mão na frente e outra atrás. Dessa parte eu gosto, fala bastante de como é a vida de um imigrante lá. Com o tempo a ficha do cara vai caindo, principalmente quando a diretora da escola do Felipe diz que ele precisará se mudar para uma escola especifica para crianças como ele. O pai fica arrasado. Nesse meio tempo a esposa engravida novamente e surge o pânico de que o bebê seja como o irmão.

   E finalmente vem a aceitação. E o desejo do pai de se aproximar do filho, de ensinar-lhe alguma coisa. Como ele é professor e escritor, tenta se aproximar de Felipe pelas letras, literatura (atenção estudantes, isso foi questão de vestibular da UFRGS em 2013!), porém é de futebol que o garoto gosta.

   A impressão que eu tive da leitura, o que eu senti mesmo é que o ser humano pode ser uma pessoa muito mesquinha, muito egoísta. Não sou ninguém para julgar, claro, mas acreditava que filhos, ainda mais planejados, fossem a coisa mais importante para os pais. Vejo nesse sujeito, sendo ou não o autor de fato, alguém preguiçoso, dependente da mulher, que passa fantasiando que vai ser um escritor de sucesso, mas que não se esforça sequer para escrever algo de bom. Alguém que desejou todo o mal para seu próprio filho só por não querer ser visto como pai de um “mongol”, e quando finalmente o aceitou com seu problema, ainda assim tentou moldá-lo a seu gosto. Mais uma vez, não estou aqui para julgar ninguém, tampouco um personagem de livro. Mas quem aqui lê apenas com a mente, sem envolver o coração, que atire a primeira pedra.

Lançamentos Literários – Fevereiro

 Companhia das Letras

A Paz Dura Pouco – Chinua Achebe
O Homem É um grande faisão no mundo – Herta Müller
As Agruras Do Verdadeiro Tira – Roberto Bolaño
O Humano Mais Humano – Brian Christian
As virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides
O Escolhido Foi Você – Miranda July
Todos Os Poemas – Paul Auster
Toda Poesia – Paulo Leminski
A Conquista Social da Terra – Edward O. Wilson
O Jantar Errado – Ismail Kadare
Corpos Estranhos – Cynthia Ozick
Um Encontro – Milan Kundera

Penguin-Companhia

O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett
Senhora – José de Alencar
Ilíada – Homero

Companhia de Bolso

Sobre História – Eric J. Hobsbawm
As Damas do Século XII – George Duby
O Complexo de Portnoy – Philip Roth

Claro Enigma

O Que É Arte Contemporânea? –  Jacky Klein & Suzy Klein

Quadrinhos na Cia.

Segredo De família – Eric Heuvel

Companhia das Letrinhas

Em Cima Daquela Serra – Yara Kono
Sombrinhas – Jean Galvão
O Livro Dos Maiores Exploradores De Todos Os Tempos – Peter Chrisp

Editora Paralela

Os Cães Sonham? – Stanley Coren
Adeus, Por Enquanto – Laurie Frankel

Editora Seguinte

O Cavaleiro Fantasma – Cornelia Funke
Destino Sombrio – Luís Dill

Resenha “O Meu Pé de Laranja Lima” – José Mauro de Vasconcellos

   “No Natal, às vezes nasce o Menino Diabo”. É assim que abre a primeira parte dessa obra comovente, escrita pelo aventureiro José Mauro de Vasconcellos. O que parecia ser a narrativa de mais uma de suas grandes aventuras acaba sendo as mais tristes memórias que alguém poderia ter de sua infância.

   Lançamento: 1968
  Autor: José Mauro de Vasconcellos
  Páginas: 192
  Editora: Melhoramentos

   José Mauro, mais conhecido como Zezé, é um garoto de seis anos incompletos que vive em Bangu-RJ. Possui muitos irmãos, e sua família está vivendo um momento de grande pobreza, devido à demissão de seu pai do emprego que sustentava a casa. Isso obriga sua mãe e irmãs mais velhas a trabalharem incansavelmente na fábrica da cidade. Nosso camarada é um garoto muito curioso, inteligente, sempre querendo descobrir coisas e mais coisas. Difere muito de seus irmãos, todos morenos e puxados do lado indígena de sua mãe. É louro e muito miudinho… mas não se engane, ele é o mais arteiro dos meninos de Bangu, sendo muitas vezes duramente castigado pelos pais e irmãos. Zezé sonha ser artista de cinema, e não perde um filme de faroeste.
   A situação financeira da família piora e se vêem obrigados a mudar-se para uma casa menor e mais econômica. É lá que Zezé conhece Minguinho, o pé de laranja lima mais simpático e divertido de todos os tempos. Os dois formam uma amizade forte e é nele que Zezé encontra alguém com quem possa falar de seus sonhos, desejos, medos. Sempre após uma surra, nosso amigo ia para o quintal conversar com o amigo.
   O que pode parecer apenas mais uma autobiografia de um escritor brasileiro notável, na verdade é a visão de um garotinho sobre a dureza que a vida é para alguns, e o quanto podemos aprender com isso. Nosso gato ruço, como é chamado por sua irmã, Glória – a favorita de Zezé, e loura como ele -, foi ensinado desde cedo que as coisas eram difíceis e era complicado mudar. Tendo tantos irmãos, às vezes mal tinham o que comer. Por Zezé ser muito arteiro, vivia levando surras memoráveis. O que era para ser algo disciplinar acaba transparecendo como maldade dos adultos, a própria família de Zezé. Com pai e mãe sempre ausentes, o garoto foi criado por Glória. Vê o espaço paterno ser preenchido pelo amigo Portuga, Manuel Valadares. Esse garotinho é tão sedento de ternura que agarra-se ao amigo de uma forma que faz o coração da gente doer e sorrir ao mesmo tempo. Zezé passa a tê-lo como sua única família, tendo chegado a pedir para que Portuga o adotasse como filhinho. O garoto encontra nele o bálsamo contra a ferida que carrega no peito, a crueldade, maldade de seus próprios parentes. A vida passa a ter cor para o garoto. Mas então as coisas mudam de uma maneira inesperada… terás que ler para saber.
   Esse foi um livro que marcou minha infância de uma forma que nenhum outro irá marcar. A gente sofre junto com Zezé, chega a sentir a dor das surras que ele leva. Uma das maiores lições de amor lidas nas páginas amareladas pelo tempo foi a preocupação do garoto de que seu irmãozinho, o Rei Luís, não ganhasse um presente de Natal. Mesmo não ganhando nada para si ele deu um jeitinho de presentear o irmãozinho que gostava tanto.
   Meu Pé de Laranja Lima foi adaptado para as telonas, em 1970, e para as telinhas, na TV Tupi em 1970, e para a Rede Bandeirantes nos anos 1980 e 1998. Foi publicado em 19 países e traduzido para 32 idiomas. Chegou a ser publicado na Coréia em 2003, em forma de quadrinhos, tendo obtido bastante sucesso. Foi o livro, de longe, mais famoso de nosso estimado José Mauro.
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