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[Resenha] Nosferatu – Joe Hill

   HOHOHO!! Mamãe Noel aqui veio deixar um maravilhoso presente para vocês. Hoje, noite natalina, iremos conhecer um lugar magnífico, chamado Terra do Natal. Por favor, sigam-me até o Rolls-Royce de Charlie Manx e vamos nos divertir muito! =)

capaTítulo Original: NOS4A2

Autor: Joe Hill

Tradução: Fernanda Abreu

Gênero: Terror

Páginas: 624

Lançamento no Brasil: 08/07/2014

Sinopse Oficial: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

   Ok, antes de começar, permitam-me extravasar um pouco da minha admiração: GENIAL! CARA, EU TE AMO!! Acabou com todos os meus natais, mas valeu cada página, cada letra, meu Deus, que leitura sensacional. Hum, hum… agora já posso ser séria! Fazia muito, mas muito tempo que eu não lia um livro de terror, realmente de terror. Uma frase que costumo usar com frequência dentro desse assunto é: um escritor realmente fez um livro de terror quando este te faz se cagar de medo. Sério gente, Hill acertou em cheio nessa obra, que ultrapassou todos os limites do pavor. Provei um pouquinho dessa sensação ao ler A Estrada da Noite, mas nada pode se comparar. A começar pelas ilustrações. Diferentemente do seu primeiro romance, Hill nos presenteou com verdadeiras obras-primas descritivas de sua história. Se você não conseguir ficar realmente apavorado com a escrita, acredito piamente que as imagens darão um jeitinho em você!

Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?

Nosso querido e amistoso Sr. Manx. Não é a bondade em pessoa?

   Além da escrita assustadora em si, percebi vários traços peculiares, como o fato de Joe abordar o tema do alcoolismo e drogas. De um jeito que me lembrou seu pai. Às vezes acho que ele é uma versão de SK mais atualizada. Alguns personagens estão sob os holofotes, não apenas Vic e Manx. Bing, que me dá nos nervos de tão patético que ele é, Maggie, a bibliotecária mais fodona que eu já conheci, Lou… aliás, ou estou muito enganada, ou Lou foi inspirado em ninguém menos que Hugo Reyes, o Hurley de Lost. Podem ler e tirar suas conclusões, quem for fã de Lost verá essa ligação. Espero que um dia, não muito distante, eu mesma possa perguntar ao criador dessa história. Ah, ainda tem o filho dela, o BRUCE WAYNE. Cara, esse livro é foda sob muitos aspectos! Os dois personagens principais possuem um talento para viajar pela mente, criando lugares impressionantes. O de Vic, O Atalho, permite que ela vá para qualquer lugar em que estiver pensando, com o objetivo de encontrar algo que está perdido. Não tardamos a descobrir que quando ela procura encrenca, O Atalho vai dar logo na residência do encantador Sr. Manx.

O Atalho

O Atalho

Já a mente de Charlie o leva pela estrada a um local que é uma espécie de parque de diversões natalino: lá todo o dia é Natal, as crianças o adoram! Bem, se dermos uma olhada com atenção nas crianças, veremos que elas não são exatamente bonitinhas e fofinhas. Na real, toda vez que penso nelas me lembro do Venom. Bom, lendo vocês vão ter uma ideia do que tô dizendo… Aí vão umas imagens da Terra do Natal, o mapa para se chegar lá e um encantador desenho que Millie Manx (moradora da Terra do Natal) fez para seu papai.

A Lua que banha a Terra do Natal

A Lua que banha a Terra do Natal

A Millie é artista...

A Millie é artista…

Mapa curioso, não?!

Mapa curioso, não?!

A Terra do Natal

A Terra do Natal

    Por falar nesse mapa, sabemos algumas coisas a seu respeito. Joe Hill construiu uma ponte de ligação entre todas as suas histórias, de uma maneira muito interessante. E uma coisa que Manx fala para Bing me deixa chocada!

   SPOILER

   O Verdadeiro Nó é mencionado! Tá é daí? Daí que esse romance foi escrito antes de Doctor Sleep, e Manx foi bem realista em relação ao grupo de Rosie, a Cartola. Fiquei encucada se King usou isso na cara dura, se essa parte de Nosferatu foi ideia dele… bah, teorias surgem! Por algum motivo, fiquei desgostosa com a ideia de King usando personagens do filho, não sei a razão.

   Enfim, o livro é excelente sob muitos aspectos como já disse anteriormente. É divertido, Manx pode ter bastante senso de humor. Fiquei chateada com o desfecho da Vic. Acho que esse foi o único ponto negativo pra mim. E claro, acredito que as capas originais podiam ter sido mantidas, elas são bem mais legais. Então é isso, LEIAM, aproveitem cada página! Fique com mais algumas imagens e Feliz Natal!!

capa gringa

Uma das capas gringas

Amei essa capa!

Amei essa capa!

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[Resenha] A Menina Submersa – Caitlín R. Kiernan

 Título Original: The Drowning Girl; a memoir
  Autor:  Caitlín R. Kiernan
  Editora: Darkside
  Gênero: Fantasia/suspense psicológico
  Páginas:  313
  Ano: 2012

Vou escrever uma história de fantasmas agora […]
Nunca julgue um livro pela capa. Nunca mesmo. Você pode ficar positiva ou negativamente surpreso. Quando vi este livro na Cultura, sendo da Darkside e com comentário de ninguém menos que Neil Gaiman, pirei. Enchi o saco que tinha que ter o bendito livro. Consegui. Fui para casa, deitei na cama e comecei a leitura. A Menina Submersa é uma história dentro de uma história, e India Morgan Phelps (Imp para os íntimos), é a maluca mais intrigante que já conheci. A moça tem um histórico triste na família: avó e mãe cometeram suicídio em virtude de sua doença (Esquizofrenia). Imp também herdou a doença, o que significa que se ela não tomar suas pílulas mágicas e se consultar com a psiquiatra responsável, a coisa engrossa consideravelmente para ela.
Imp passa o tempo todo tentando escrever um livro, porém ela possui um talento notável para pintura e desenho, apenas não acredita no seu potencial. Trabalha em uma loja de artigos para pintura. Em um belo dia, conhece Abalyn e de uma forma totalmente curiosa, elas se apaixonam (será que foi assim mesmo? Os relatos de Imp nunca são confiáveis). Sim, Imp é homossexual assumida, e sua namorada, uma transexual até muito bem resolvida nos dias atuais. Gostaria de dizer (e vou dizer mermo) que senti MUITO AMOR por essas duas. Sério gente, elas são tão lindas juntas, o jeito que a Ab cuida da Imp, o cuidado dela com sua doença. O jeito que elas se organizam juntas, o fato de Imp tentar se interessar de verdade pelo trampo da namorada… o relacionamento delas é lindemais!
Nesse meio tempo, fico pensando se realmente li direito que o livro é de terror. É aí que chego na parte negra: Imp tendo uma crise. Sei que vocês estão acostumados a fantasmas e monstros, mas vou dar a real: terror está em toda a parte. Quem não está acostumado com terror psicológico não vai curtir a leitura. Como muitos sabem, Esquizofrenia é uma doença em que confundimos fantasia e realidade. Imp possui uma versão hard dessa doença. É uma luta, uma dificuldade para que ela consiga reunir ideias, pensamentos e memórias para poder escrever o seu livro. Por isso disse que ela passa o tempo todo tentando escrever, é difícil para ela.
No início dessa resenha, disse que não devemos julgar um livro pela capa. Quando eu o vi pela primeira vez, pensei no terror clássico, naquele óbvio ao qual estamos acostumados. Depois de começada a leitura, fui achando tudo muito chato e confuso. Um pouco antes da metade da obra, o jogo vira e começo a compreender tudo. É aí que o puro horror me pega. Você terá de ler para entender.
Fora isso, a tristeza impregna as páginas desse. Imp se sente um lixo por ter herdado a maldita doença de seus antepassados, lutando constantemente para não cair em um buraco negro. E quando as Evas aparecem, as coisas tendem a piorar drasticamente.
Essa foi uma das leituras mais difíceis, porém mais terrivelmente belas que já fiz. Vale a pena viver essa experiência. Vocês estão prontos para viver uma história de fantasmas, sereias e lobos?

Resenha “A Maldição do Cigano” – Stephen King (Richard Bachman)

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  Título Original: Thinner

  Autor: Richard Bachman

  Editora: Francisco Alves

  Gênero: Fantasia/Terror

  Páginas: 283

  Ano: 1984 (USA)/1991 (BR)

“Emagrecido!”

   Que outra frase eu poderia usar para abrir essa nova temporada (espero que longa) de resenhas? Numa rápida sinopse,  nosso amigo advogado, o “grande” Billy Halleck, após se safar do atropelamento seguido de homicídio de uma velha  cigana, é amaldiçoado pelo pai da mesma, o cigano mor, o chefão, THE BIG FUCKING BOSS dos ciganos. Com o quê? A  emagrecer. Ok, sei que muitos de vocês não encaram isso como maldição, eu inclusive, quando comecei a ler, mas acreditem… apesar do Billizão estar bem precisado de uma emagrecidinha básica, o negócio meio que toma proporções assustadoras e deixa o cara bem encagaçado. O cigano Lemke mostra que se pode sim fazer justiça com as próprias mãos, e o que é melhor, sem sujá-las. A obra que o nosso queridão escreveu sob o pseudônimo de Bachman é recheada de adrenalina, não só aquela fantasia assustadora que conhecemos e amamos, mas uma verdadeira corrida contra o tempo, em que cada segundo é precioso. A gente vê que as pessoas são sujas em tudo que é lugar, não só na vida real. Claro que o cara não atropelou de propósito, mas foi imprudente pacas e não sofreu nem uma puniçãozinha da justiça… claro, ter costas quentes é o segredo do sucesso, e uma esposa peituda, não podemos esquecer. O cara tem um bom casamento, uma filha adolescente com bastante juízo, e quilos de sobra. Não consigo entender como é que a criatura consegue comer tanto e não se cuidar, e ainda assim ter uma mulher linda que (pasmem) o ama de verdade e não tá com ele pelo dinheiro e carreira bem-sucedida. Depois de todo o sufoco, o confronto com o velho na saída do tribunal, Halleck pensa que tudo voltará a sua normalidade, que este foi um desagradável fato isolado. Tsc, tsc… Cara, eu gosto realmente desse livro, é bom demais, por várias razões. Uma delas é que tu lê se mexendo, não tem como ficar parado. É demais. Temos personagens durões, o Ginelli é o máximo, ofusca todas as atenções com suas tiradas sarcásticas e maldosas. Sem contar que ele não perde a piada nem em meio a um ataque terrorista. Bachman errou feio com ele no final, mas no fundo o compreendo (dessa vez). Agora, o que mais me fez acreditar que este é um grande acerto do mestre é sem dúvida o final FODA. É bom demais quando um escritor sabe os caminhos que pode tomar em relação a suas histórias e as consequências dos mesmos. Esse negócio de escrever se deixando levar não me convence de jeito nenhum: no momento em se decide escrever algo, seja romance, novela ou conto, tu és Deus. Não dá pra deixar tudo se resolver por si. Discordem de mim, podemos discutir essa questão durante horas, mas SK tem sérios problemas em finalizar suas obras. Aqui, ele soube mexer as peças no tabuleiro super bem, consegui ver nitidamente isso. Bom, espero que vocês tenham ( não vou dizer explicitamente “gostado”) se sentido informados quanto à obra. Vale mais do que a pena ler, é curtinho… Primeiro que li dele como Bachman. De resto, vai uma torta de morangos aí?

Resenha Livro “Morte Súbita” – J.K. Rowling

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   Título Original: The Casual Vacancy
   Autor: J. K. Rowling
   Editora: Nova Fronteira
   Gênero: Ficção Inglesa
   Páginas: 501
   Ano: 2012
   Sinopse: Após a morte inesperada de um dos conselheiros distritais do pequeno vilarejo de Pagford, diversas disputas iniciam-se pelo seu lugar no Conselho. Muitos personagens e segredos são revelados, mostrando que o lugarzinho tranquilo esconde muita sujeira embaixo do seu tapete acolhedor de boas-vindas…
   Não sei se vou conseguir reproduzir aqui exatamente o que estou sentindo depois dessa leitura perturbadora. E fico  me perguntando se os fãs de HP que leram a obra estão sentindo a mesma coisa que eu. Minha primeira observação desde que soube dessa empreitada da J.K. no mundo adulto foi “Iupi, já estava com saudades dela”. Segunda observação ao entrar numa livraria nos últimos meses: “Uau, ela é demais, novamente na lista dos mais vendidos!”. Mas quer saber? Acredito que nem metade dos compradores ficaram satisfeitos. Me arrisco a dizer que muitos nem sequer leram a obra inteira de cara, avidamente como fazemos quando uma boa leitura cai em nossas mãos. Tenho uma amiga que não saiu das 80 páginas ainda (sei que ela vai se reconhecer aqui), e eu mesma ganhei esse livro em fevereiro e só terminei ele ontem, depois de uma parada de  quase duas semanas. Compraram por ter o nome dela na capa e por associarem à série Harry Potter.
Como a gente bem sabe, Morte Súbita é um livro para gente grande mas se tu fores como eu, ou seja, uma bobalhona, e imaginaste o Harry entrando no enredo a cada página, isso é normal. E a autora desejou nos mostrar como as coisas são de verdade, sem nada para embelezar. Fez-nos ver que nem em um mini lugarzinho onde a burguesia impera e de tudo fazem para se livrar do bairro pobre que “mancha a sua reputação” as coisas são realmente bonitas. Todos ali parecem se gostar, são amáveis e queridos uns com os outros, tranquilos… mas sob a superfície existe o que há de mais podre. Com a morte de Barry Fairbrother a podridão começa a vir à tona. Ponto para ela, gostei disso. Achei muito bacana também o fato de não ter um personagem principal exclusivo. Nas 501 páginas, a cada momento um personagem diferente roubava a cena, então tive intimidade com todos eles. Embora bom, pude notar que foi o fato determinante para a obra ter me decepcionado, no seu sentido geral. Acredito que a intenção dela desde o começo da obra foi de nos mostrar que nem sempre o sujeito do bairro rico é bom e o do bairro pobre é ruim. É aí que Krystal Weedon entra em cena: a garota delinquente de Fields. Aquela que desde os doze anos mostrava os peitos pros colegas no fundo da sala de aula. A história dela é triste e difícil, com a sua mãe viciada em heroína e sem a mínima vontade de livrar-se do vício. Ela tinha instintos bons, mesmo que ninguém a visse como boa pessoa. Era muito melhor que aquele velho pançudo do Howard, com a imbecil da sua mulher e o seu filho babão e puxa-saco dos pais. Era melhor do que o ogro do Simon, vivendo a aterrorizar a mulher babaca e os pobres filhos. E nem preciso mencionar o Bola, moleque escroto.
Rowling tentou nos mostrar que o ambiente sempre será determinante na conduta de uma pessoa. Krys no seu interior era boa, mas tínhamos que fazer uma certa força para enxergar isso. Por viver num ambiente daninho, era muito prejudicada; assim como seu irmão. Enquanto que diversas pessoas de Pagford eram cínicas e sujas por dentro, externamente eram exemplos. O seu grande erro foi se ater a tantos detalhes num livro de muitos personagens, com muitas histórias. E detalhes nojentos ainda por cima. E da metade para o final exagerou demais. Claro que ela queria a verdade nua e crua. Mas foi cruel demais, teve páginas em que eu cheguei a me arrepiar de nojo! Para vocês terem uma ideia, ela fez Stephen King, no auge dos seus detalhes repugnantes parecer um adolescente ingênuo, na minha opinião.
Foi aquela velha história: a pessoa vai colocando personagens, histórias, vê que o livro tá ficando imenso e tenta terminar rápido, de qualquer jeito. Eu digo: isso não se faz! Ao terminar tu pensas: mas já? Que final idiota. Nesse não, porque apesar de não esperar que aquilo seja o final, ao terminar a gente sente alívio, com aquele final digno de novela da Televisa. Não sei se ela quis deixar algo mega master adulto, ao mesmo tempo em que não quis nada semelhante a HP, só sei que o exagero imperou nesse livro. Além de muito sem graça. Sou daquelas que quer ter por quem torcer, algo pelo que ansiar. Aqui meu único desejo foi de terminar logo.

Resenha Livro “Lembra de Mim?” – Sophie Kinsella

   Morreram de saudades de mim, eu sei bem. Com tanto trabalho para fazer essa semana, quase não tive tempo de postar aqui. Peço que me desculpem, e hoje trago-vos um livro que foi uma surpresa para mim…

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   Título Original: Remember Me?

   Autor: Sophie Kinsella

   Editora: Record

   Gênero: Chick Lit, Romance

   Páginas: 400

   Ano: 2009

   Sinopse: Lexi Smart é uma garota em um relacionamento desastroso, dentuça, e mal sucedida na sua vida profissional. Mas tudo muda quando após um acidente ela acorda linda, maravilhosa, rica e casada…

   Não é o primeiro livro da Sophie que eu li. Comecei pela Série Becky Bloom. Lembra de Mim? foi adquirido por mim no Carnaval de 2012, depois da decepção da minha bolsa na universidade não ter sido concedida. Junto com ele comprei Casório?, esse sim meu livro favorito da escritora Marian Keyes. Ao iniciar a leitura, lendo a orelha do livro passo a pensar que tudo não poderia passar de um sonho. Apesar de eu gostar muito do gênero, ainda tinha um resquício de preconceito de que esse tipo de livro tem sempre um tema bobo. Mas não, não era sonho, não era devaneio. A Lexi era uma pobre coitada, com grandes amigas, claro. E pobre coitada. Numa droga de emprego, longe de ser bonita com o cabelo naquela cor estranha, aqueles dentes imensos… Eu imaginava ela como uma Hermione fora de Hogwarts. O namorado dela era um babaca, ela tinha perdido o pai… daí ela cai, acorda num hospital toda linda e maravilhosa, com um cara rico e bonitão de marido. Se passaram quatro anos. Se tu não pensaste que era um sonho eu vou estranhar… Depois que ela acorda descobre que foi num acidente de carro que foi parar no hospital, e não do tombo daquela noite chuvosa. Eu particularmente vivi tudo com ela. Praticamente tudo, à exceção do namorado. O meu é há quatro anos maravilhoso, uma sorte tão grande que todo o resto parece apenas um detalhe superficial. Tenho consciência de que  não sou modelo de beleza também, sou bem comum. Lexi e eu somos parecidas nisso. Eu vivi a confusão dela nessa nova vida, nova época. E falo mais do emocional: é bem estranho acordar sem nenhuma das melhores amigas e casada com alguém que sequer sabe o nome. Fiquei encucada, quis investigar para entender como isso aconteceu. Descubro aos poucos que essa vida está longe de ser perfeita, porque eu perdi minha essência. Nesse meio tempo tem um cara me assediando, procurando saber se eu realmente não lembro dele. Ele me intriga… mas torna-se meu amigo e me ajuda na busca pelo entendimento. E quando finalmente descubro, cai a ficha de que na verdade eu recebi uma segunda chance da minha vida. As coisas não estavam boas e eu tive a oportunidade de recomeçar. Achei tão legal o fato de tudo ser realmente verdade e o jeito como ela encara as coisas. Foi bem realista, diferente de muitas das obras desse gênero que eu já li.

   Quem dera todos pudéssemos recomeçar em grande estilo… isso é o que pensamos antes de compreender que a Lexi viu o quanto a vida dela estava ruim e batalhou para mudar esse quadro. Foi uma grande conquista. E é essa a mensagem que a obra me passou. Recomendo a todos que querem começar a ler Sophie Kinsella!

Resenha Livro “A Zona Morta” – Stephen King

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   Título Original: The Dead Zone

   Autor: Stephen King

   Editora: Abril Cultural

   Gênero: Religião, Sobrenatural, Terror

   Páginas: 389

   Ano: 1985

   Sinopse: Jonny Smith é um simplório professor secundário, acorda de um coma de cinco anos aparentemente sem sequelas, a não ser por uma área de seu cérebro danificada, que o impede de reconhecer certos objetos. Os médicos dão a essa área o nome de zona morta.
Mas a zona morta abriga muito mais do que memórias esquecidas. Por conta dela, Johnny desenvolve o poder de prever o futuro. Isso támbem é sua condenação – nela cresce um tumor que rapidamente suga suas energias.
Após conhecer Greg Stillson, um inescrupuloso candidato a deputado, Johnny tem terríveis visões do político como presidente dos Estados Unidos e o país mergulhando numa guerra nuclear. Perturbado, ele terá que enfrentar o difícil dilema: sofrer em silêncio, sabendo das tragédias que virão, ou matar Stillson, numa desesperadatentativa de impedir a catástrofe prenunciada. 

   Terceiro romance do mestre King, Zona Morta já me atraiu pelo enredo: um rapaz que pode ler pensamentos, prever o futuro ou enxergar o passado de algo ou alguém simplesmente pelo toque. Bom, quem não curtiria ler pensamentos? Eu nesse momento gostaria, enfrentei um momento de turbulências no trabalho com uma colega e ex-amiga. Dá sempre aquela vontade de entender o que se passa na cabeça de um sacana, apropriando-me do termo que parece ser o preferido de Greg Stilson, haha. ZM é um romance paranormal? É, sim. Um romance que ressalta o tema do fanatismo religioso? É, sim. É uma história de amor? É, sim. Mas também, e notavelmente, é uma obra política. Não sei como SK tem esse dom de escrever – e escrever muito bem – sobre todo e qualquer tema que aparecer na sua frente. O cara entrou no universo da politicagem, e entrou com tudo. Nota máxima para ele!

   A princípio, eu julguei que a história teria como tema os assassinatos, e que Johnny desvendaria o mistério, que tornaria Sarah sua esposa, teriam filhinhos e eras isso. Cheguei até a cogitar a hipótese de o marido de Sarah ser o assassino, assim ele já virava carta fora do baralho (mas nunca deixei um segundinho de suspeitar das intenções do sacana do Stilson!). E então eu lembrei: cara, to falando do King. Isso nunca aconteceria. E de fato, estava certa. Meu excelentíssimo torturou-me bastante por ter lido antes de mim. Esse livro me marcou da mesma forma que Carrie marcou: foi dramático demais, doloroso demais. O sobrenatural, o mistério, foram deixados de lado pelo drama, pela tristeza da história. Aquela dor de desejar que pequenos fatos não se consumassem para que a desgraça toda não acontecesse. De desejar que Johnny ficasse na casa de Sarah cuidando dela, ou de que ele tivesse procurado ver se não houvera sequelas do acidente na sua cabeça, além da óbvia paranormalidade. Provavelmente quando vocês lerem a obra, viverão as páginas com o “Se” em mente. Passei por isso no momento em que terminei a parte do acidente da infância.

   Zona Morta está bem longe de ser meu livro favorito, por tratar muito de política. Eu odeio esse tema, acho muito sacal. Creio que se a história fosse mesmo centrada nos assassinatos, com mais ação, eu teria gostado muito mais. No entanto, não chega nem aos pés de Rose Madder no quesito “eu poderia ter passado sem ler”, por exemplo. A meu ver, é um romance que é legalzinho, com um tema bacana de se explorar, mas nada que te prenda.

Resenha Livro “Desespero” – Stephen King

   “Quando o sol se põe e um vento soturno começa a soprar, tudo pode acontecer. E é bem provável que logo se descubra o verdadeiro sentido da palavra desespero.”

   “Aquele que não ama não conhece Deus, pois Deus é amor.” (João 4:8)

   “David recostou sua cabeça novamente no banco, fechou seus olhos e começou a rezar.” 

desperation   Título Original: Desperation

   Autor: Stephen King

   Editora: Ponto de Leitura (Selo Objetiva)

   Gênero: Religião, Sobrenatural, Terror

   Páginas: 540

   Ano: 1996

   (Segunda obra favorita da Bezerrinha, de todos os tempos!)

  Sinopse: Um gato espetado numa placa da Rodovia 50 – uma das mais solitárias dos Estados Unidos – revela que nem sempre é fácil chegarmos ao nosso destino. O professor Jackson e sua esposa, a família Caver e o escritor Jonh Marinville sabem disso. O trajeto até a cidade de Desespero indica que a viagem será sombria e assustadora. Afinal, ao longo deste insólito caminho existe Collie Entragian, um louco disposto a fazer das suas palavras a própria lei. Quem conseguirá sobreviver? Este é o ponto de partida do novo romance de Stephen King, “Desespero”.
Neste romance, o grande mestre descreve a luta apocalípitca entre Deus e o demônio que acontece na pequena cidade de Desespero. O terrível personagem Entragian é apenas uma ponta visível de um terror que tem longos e poderosos tentáculos. O confronto é cruel e literalmente desesperador…. Prepare o seu fôlego e embarque nesta trama alucinante do mestre King.

   ” – Você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que você disser poderá ser usada contra você no tribunal. Você tem o direito de ter um advogado presente durante qualquer interrogatório. Eu vou matar vocês. Se você não puder pagar um advogado, um defensor lhe será indicado. Você compreende seus direitos?”

   Esperei tempo demais para publicar a resenha desse livro, sinceramente. A obra, que dentre tantas tão maravilhosas, ocupou por quase um ano o título de melhor livro de todos os tempos para mim, recentemente cedendo lugar à A Dança da Morte (The Stand). Mas bah, tu pensas ao ler a sinopse. O que essa guria, no meio de tanto Chick Lit quer com Stephen King? Mas esse cara fez parte da minha adolescência junto com a paixão da minha vida, Edgar Allan Poe. Esse livro revela o melhor de SK, na minha opinião. Mas muita gente ficou com a ideia de que ele era um puta fanático religioso. Caramba, isso é exatamente o que me conquistou! A batalha religiosa, tanto aqui como em ADM, te pegas totalmente, te transportas para aquelas páginas, tu já estás na luta, e precisas decidir-te rapidamente de que lado estás.

   Em Desespero, SK usa bem suas táticas para impressionar: terror e violência. Aqui, os dois andam de mãos dadas e ninguém é poupado, seja como vítima, seja como leitor. Eu logo de cara já me arrepio, mas vocês sabem o quanto amo gatos, então não é novidade. Essas táticas pegam o leitor de jeito? Sim, pegam, mas particularmente acho que o assunto “Deus” dá mais certo e infinitamente mais pano para a manga. Várias pessoas estão viajando, sejam solitárias ou em grupos, duplas. E todas (bem, quase todas, tu saberás lendo) são paradas na estrada pelo maior guarda já visto. E, é aí que a coisa engrossa legal, gente. Todos eles se apegam ao menino mais velho dos Carver, David. Preciso dizer o quanto me afeiçoei a ele? Mexeu demais comigo a história dele e de como o garoto deu a mão para Deus e tornaram-se amigos. Nossa, muito emocionada só de lembrar (já faz tempo que li, mas guardo bem na memória cada detalhe)! As partes dos milagres foram bem tocantes, e a gente sente mesmo esperança quando estamos perto do David. Ele é até um moleque calmo ao longo de todas as páginas, visto o horror pelo qual passou logo no início. A tensão é grande em algumas cenas dele, principalmente a do sabão, concordarás comigo.

   Todos ali sofreram perdas, o guarda é muito mal! Mas se mantêm firmes em sua sobrevivência. Eu passei aflitérrima pelo momento em que íamos descobrir o que se passou naquela cidade para ela ser tão deserta e como raios um homem pode ser tão alto e com uma cor tão esquisita. E nosso mestre não me decepciona, tirei o chapéu para o enredo, todas as explicações e todos os pontos. King foi tão ousado que utilizou um recurso que só vi raras vezes: reaproveitamento de personagens. Claro, não de personagens principais, mas mesmo assim, curti pacas isso. Quem nunca se perguntou como andaria tal personagem, ou que sentiu saudade e tal. E as obras não são ligadas em enredo nem nada, a única ligação que possuem é essa personagem. Muito bacana mesmo.

   Enfim, não quero aprofundar-me na questão da religiosidade aqui nessa resenha, embora ela renda horas a fio de vozes exaltadas. Essa é uma história que nos conta que por pior que seja a maldade de um ser, Deus triunfa sobre ela. Deus triunfa sobre tudo, e ele pode ser cruel, mas Deus é amor…

Resenha Livro “O Céu Vai Ter Que Esperar!” – Cally Taylor

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   Título Original: Heaven Can Wait

   Autor: Cally Taylor

   Editora: Bertrand Brasil

   Gênero: Chick Lit

   Páginas: 364

   Ano: 2011

  Sinopse: Lucy Brown está prestes a se casar com o homem dos seus sonhos. Contudo, na véspera da cerimônia, ela sofre um acidente fatal. Agora ela terá que escolher: aceitar uma vida inteira longe de sua alma gêmea e ir para o céu, ou ficar com seu amor, sob a forma de fantasma. Vencedora de diversos prêmios, esse é o romance de estreia de Cally Taylor.

   Ai, meu Deus! Como torci para que tudo não passasse de uma droga de sonho mau! Engraçado isso, por mais que eu deteste casais sendo separados pela morte, os romances que têm esse tema central me atraem direto. Com esse livro não foi diferente, embora a capa tenha contribuído em 200%, lógico! Ela é tão linda e simboliza super bem a história da nossa amiga Lucy. A resenha de hoje é sobre um livro que li muito rápido, e… alugado! Sim, não é novidade que muitas e muitas vezes preferi alugar obras antes de saber se vale a pena comprá-las. Tanto é que as poucas obras compradas inéditas foram da Sophie Kinsella, Marian Keyes, Stephen King… Todas as outras comprei por ter adorado a leitura, e quis colocar na minha estante. Nessa resenha vou tentar fazê-la o máximo possível sem spoilers.

   A Lucy tinha uma vida perfeita, um noivo perfeito, adoráveis amigas. Mas o Manda Chuva quis que ela subisse no telhado bem na véspera do seu casamento. Nossa heroína acorda desorientada depois do acidente em um lugar chamado Limbo. E escolhe cumprir uma missão para se tornar o fantasma do seu noivo, Dan. Daí por diante é só trapalhada, muita comédia, mas também bastante romance e partes bem tristes. A manteiga aqui chorou como se não houvesse amanhã nas partes em que o Dan está sofrendo, nos primeiros dias após o acidente que levou sua amada. Como disse, casais separados pela amiga de capuz me deixam muito mal, mesmo! Fiquei impressionada com a determinação dela em permanecer ao lado do noivo mesmo depois de morta. A gente imagina que a pessoa, ao descobrir que morreu, queira seguir seu caminho, para onde quer que este leve. Mas a Lucy não, nem pensar! Ainda mais quando descobre que sua amiga do peito, Anna, sem nem chorar por sua morte, já tá querendo fisgar o seu Dan. Eu ia falar uma expressão de baixíssimo calão agora, mas vou manter a classe! Nossa, amiga verdadeira essa, né? Eu iria querer voltar só para acertar as contas com ela, e sério… não gostaria de ser ela nesse momento.

   Quem lê a sinopse do livro, extremamente curta, certamente imagina que a história seja mega triste, talvez até desista. No entanto, essa foi uma das minhas melhores e maiores experiências dentro do gênero. Eu me vejo como a Lucy, sofro com ela, sofro demais mesmo. Mas rio demais também, não tem como não rir, gentem! E cada parte engraçada do livro é como um bálsamo para a tristeza, a gente começa a se conformar com a situação dela, torcer para que ela cumpra a missão e vire o fantasma do Dan. E a missão não é fácil, o tempo é curto para cumpri-la também… E o final? Que final foi esse? Meus butiás caíram aos montes dos meus bolsos com esse desfecho! Foi demais da conta, no bom sentido. Como emocionei-me, derreti-me com as lembranças dos momentos entre Lucy e Dan. Esta é uma obra que toca fundo no coração da gente.

   Resolvi fazer a resenha do livro exatamente por estar à procura dele para pôr na minha estante. Na verdade, tenho uma listinha aqui que vou te contar… Mas isso é assunto para outros posts, outras resenhas. Por ora, o que tenho a dizer é que Cally Taylor, para um romance de estréia, acertou em cheio.

Resenha “A Estrada da Noite” – Joe Hill

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   Autor: Joe Hill

   Título Original: Heart-Shaped Box

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 256

   Gênero: Sobrenatural, Suspense, Terror

   Ano: 2007

   Sinopse: Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
“Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…”
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas – o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente – verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite – e nada é exatamente o que parece.
Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.

    Então é isso. Um livro escrito pelo filho de ninguém mais, ninguém menos do que o MESTRE do terror e sobrenatural, Stephen King. Ele, Joe Hill, o próprio Iluminado, resolveu seguir os passos do pai e se aventurar no mundo da escrita. Teve o bom senso de não utilizar o sobrenome do cara, e até conseguiu ocultar suas origens por um tempo. Com o claro objetivo de não ser comparado ao pai. Mas isso é impossível, não tem como não comparar, embora eu não faça muito isso. O que posso dizer num geral é que ambos são talentosos e escrevem muito bem, embora sejam bem diferentes nisso apesar do gênero literário em comum. Outra coisa bacana a se observar, e eu diria muito bacana, é que Hill parece gostar de finais felizes, diferente de King.

   A primeira impressão que tive da história é a de que Judas não passa de um velho bundão que fez muito sucesso na sua mocidade e com muita grana no bolso. Tantas verdinhas que ele usa isso para atrair garotas com idade para serem suas netas. Não gosto do jeito dele, do quanto ele é ranzinza e de como ele trata mal a namorada. Outra que o cara não bate bem né, coleciona um monte de merda, lixo mesmo, cara, no duro. Só coisas macabras, podendo citar aí uma fita Snuff ! Desmiolado? Sim. E ele é tão nojento que apelida as mulheres com quem dorme pelo nome dos estados! Sério, que pretensão. Mas no decorrer das páginas até que deixo um pouco de implicar com ele.

   O livro marcou-me em muitos momentos por ter me identificado com Anna, a Flórida (ARGH!). Ela sofria de depressão antes de supostamente ter se suicidado. E por ter segredos que provavelmente revelem o motivo da depressão, Anna usa de escudo as incessantes perguntas. São tantas perguntas, para qualquer pessoa, que a gente pode ficar tonto de tanto responder. Ela não é uma adolescente, mas dá um ar de eterna menina. Tentei muito não gostar dela, porque não aprecio suicidas, por mais legal que estes sejam. Mas quando ela não estava em crise era muito legal. Também curti a Marybeth, Geórgia. Ela é a atual namorada gótica do Judas. Todas elas são góticas. Cês tão vendo o que quero dizer? O cara só curtia góticas com um passado meio sujo. Não é implicância, longe disso…

   Taí um livro que realmente me assustou para valer. É uma história sobrenatural, mas fazer com que ela realmente assuste foi um desafio e tanto, e que foi cumprido. Senti arrepios em alguns momentos, aquele velho maldito com o pêndulo conseguiu me fazer fechar o livro uma única vez, o que é um senhor feito. O jeito como um fantasma conseguia manipular as pessoas na história foi bem surpreendente. Fiquei bem encucada com o ódio que ele sentia pelo Judas, porque apesar do que aconteceu com Anna a culpa não foi do cara. A obra me ganhou de vez quando vi que não era uma simples história de fantasmas e sim um grande mistério. Foi o primeiro romance de Joe Hill que li e posso dizer com satisfação que não deixou em nada a desejar. Conseguiu me satisfazer completamente e recomendo muito.

   Então pegue sua jaqueta de couro e siga-me pela Estrada da Noite…

Resenha Livro “O Filho Eterno” – Cristóvão Tezza

   Livro muito pedido nas leituras obrigatórias dos vestibulares, O Filho Eterno foi muito diferente do que eu esperava como livro brasileiro. Uau, o que você deve estar pensando de mim nesse momento, será que ela não gosta de literatura nacional? Na verdade, pessoal, eu nunca tive interesse, a realidade é essa. Passei tanto tempo encantada com as maravilhosas obras estrangeiras que deixei de lado obras que podem envolver e encantar tanto quanto qualquer outra.

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   Nome: O Filho Eterno

   Autor: Cristóvão Tezza

   Ano: 2007

   Editora: Record

   Páginas: 224

   Sinopse:

   Cristovão Tezza é um dos mais conceituados escritores brasileiros contemporâneos e  O FILHO ETERNO é uma prova disso. O livro é um corajoso relato autobiográfico, narrado em terceira pessoa.

   Na sala de espera, entre um cigarro e outro, o protagonista está prestes a ter seu primeiro filho. Ao ver o médico, ele pergunta se está tudo bem, mas não tem dúvidas da resposta positiva. Em sua cabeça, já imagina o filho com cinco anos, a cara dele.

   Enquanto ainda tenta se acostumar com a novidade de ter se tornado pai, ele tem que se habituar com outra ideia: seria pai de uma criança com síndrome de Down. A notícia o desnorteia e provoca uma enxurrada de emoções contraditórias. “Um filho é a ideia de um filho; uma mulher é a ideia de uma mulher. Às vezes as coisas coincidem com a ideia que fazemos dela, às vezes não.”

   Em O FILHO ETERNO, Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. Aproveita as questões que aparecem pelo caminho nestes 26 anos de seu filho Felipe para reordenar sua própria vida.

   A primeira coisa que me chamou a atenção é que embora a história seja contada em 3ª pessoa ela tem um imenso caráter autobiográfico. E não é que é mesmo? Claro, o Tezza nega veementemente tal constatação, mas não podemos deixar de perceber uma espécie de acerto de contas entre ele e o filho ao longo dessas 224 páginas. A segunda coisa que reparei é que os personagens não têm nome próprio, são chamados de “mãe”, “pai”, “irmã”. Com a exceção de Felipe, o filho. Não deixo de pensar que dessa forma o autor imaginou desassociar o caráter autobiográfico, porém sem muito sucesso. Já comecei a leitura ressabiada, sabendo que o cara não iria aceitar o filho. Mas foi chocante algumas passagens do livro.

   Quando Felipe nasce e o médico declara que ele é portador da Síndrome, o pai começa a ter pensamentos recheados de egoísmo e crueldade de que nada seria mais agradável do que o filho ter alguma complicação e morresse… Opa, mas o que é isso? Sei que na época a síndrome era conhecida como “Mongolismo”, que as pessoas não a recebiam bem e tal, mas um pai renegar um filho a esse ponto me doeu o coração. Ele pensou muito em abandonar a esposa e apagar essa passagem da vida dele, mais covardia, mais egoísmo… Incrível o quanto escrever pode nos fazer pôr para fora nossas piores passagens da vida, nossos lados mais obscuros.

   Uma boa parte da história passa com o pai acreditando que o filho não tem problema algum, nega tudo, se ilude. Muitas páginas são dedicadas a suas memórias de antes de casar, como quando foi para a Europa com uma mão na frente e outra atrás. Dessa parte eu gosto, fala bastante de como é a vida de um imigrante lá. Com o tempo a ficha do cara vai caindo, principalmente quando a diretora da escola do Felipe diz que ele precisará se mudar para uma escola especifica para crianças como ele. O pai fica arrasado. Nesse meio tempo a esposa engravida novamente e surge o pânico de que o bebê seja como o irmão.

   E finalmente vem a aceitação. E o desejo do pai de se aproximar do filho, de ensinar-lhe alguma coisa. Como ele é professor e escritor, tenta se aproximar de Felipe pelas letras, literatura (atenção estudantes, isso foi questão de vestibular da UFRGS em 2013!), porém é de futebol que o garoto gosta.

   A impressão que eu tive da leitura, o que eu senti mesmo é que o ser humano pode ser uma pessoa muito mesquinha, muito egoísta. Não sou ninguém para julgar, claro, mas acreditava que filhos, ainda mais planejados, fossem a coisa mais importante para os pais. Vejo nesse sujeito, sendo ou não o autor de fato, alguém preguiçoso, dependente da mulher, que passa fantasiando que vai ser um escritor de sucesso, mas que não se esforça sequer para escrever algo de bom. Alguém que desejou todo o mal para seu próprio filho só por não querer ser visto como pai de um “mongol”, e quando finalmente o aceitou com seu problema, ainda assim tentou moldá-lo a seu gosto. Mais uma vez, não estou aqui para julgar ninguém, tampouco um personagem de livro. Mas quem aqui lê apenas com a mente, sem envolver o coração, que atire a primeira pedra.

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