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Um Pouco Sobre Minha Vida Literária

   Nossa, que estranho estar escrevendo sobre minha pessoa. Mas como o assunto remete aos livros que venho lendo desde os cinco anos, sinto-me um pouco mais segura. A maioria das crianças aprende a ler na escola, juntando B+A = BA, por exemplo. Não sei por que comigo foi diferente, seria pelo fato de eu ter sido amamentada até os quatro anos de idade (dizia-se por aí que o leite materno aguçava a inteligência da criança, assim como o café…)? Difícil de saber, só sei que aconteceu de forma diferente comigo.

   Lembro-me muito bem até hoje de como aconteceu: estava quietinha, sentada no sofá, um grande dicionário na mão. Gostava de rabiscar e desenhar nele (ah, eu era criança!). Abrindo a esmo, chego na página do “V”, e finjo entender tudo que está escrito. Gostava de brincar assim. Então, sei lá como aconteceu, tentei juntar as letras da palavra “VASO”. Gaguejando um pouco, consegui! Tá, não exatamente, saiu “VAÇO”. Eu não sabia que “S” podia ter som de “Z”. Desse momento em diante a minha vida mudou drasticamente. Começando pela escola…

   Como menos de um mês depois consegui escrever também, logo minha mãe achou que tava na hora de eu ir estudar. E fui, porém não foi na pré-escola que tomei gosto pela leitura. Mais tarde, na primeira série do ensino fundamental, descobri a mágica maravilhosa que os livros continham. A leitura me cativava tanto, que ganhei um livro da minha professora, intitulado “A Cama da Mamãe”. Nos meus primeiros anos de leitora, era a literatura infantil de que mais gostava.

   Os anos foram passando, minha família mudou-se de Porto Alegre para Cachoeirinha. Eu, com toda a infelicidade que poderia reunir com essa droga de mudança, comecei a fuçar nos livros da minha mãe. Estava então com dez anos, nenhum amigo na nova cidade em que residia. O tédio era tanto que o primeiro livro que achei já fui lendo. Era Dom Casmurro, do Machado de Assis. O enredo a princípio muito me interessou, já estava mudando a idade dos livros nessa época. Li em seguida Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba, do mesmo autor. Obras horríveis, na minha opinião. Paradas, chatas. Em suma, tediosas. Foi então que descobri a famosa Série Vagalume, começando pel’O Mistério do Cinco Estrelas, do excelente Marcos Rey. Logo fui lendo todos os de autoria dele, um melhor que o outro. Descobri que tinha muito gosto por romances policiais, e apaixonei-me pela obra de Edgar Allan Poe. Um gênio, em minha humilde opinião. Ali temos uma combinação muito atraente entre crimes e o sobrenatural, bizarro. Realmente muito bom, autor que em breve terá um post ou mais só para ele.

   Com treze anos minha mãe apresentou-me Julio Verne, A Ilha Misteriosa. Apaixonei-me pela aventura, inteligência dos personagens. Dali em diante fui atrás de novos encontros, com outras obras dele. Não me arrependi, só acrescentei mais um excelente conteúdo literário à minha vida. Foi na época do Verne que conheci a excelente J.K. Rowling e seu mundo mágico de Harry Potter. Série de livros que me conquistou do prímeiro ao último. Logo mais descobri C.S. Lewis e suas Crônicas de Nárnia. Stephen King e suas obras sobrenaturais. Alvares de Azevedo apresentou-me a Segunda Geração do Romantismo, inspirado em Byron. E os anos foram passando… com dezessete anos conheci Nora Roberts. Autora que serviu como um “divisor de águas” em minha vida de leitora.

   Roberts era diferente de tudo que eu já havia lido, em muitos aspectos. Autora de grandes romances policiais, esta falava de amor, paixão, e de uma maneira tão envolvente… meu Saul vive dizendo que ela é uma versão moderna de romances estilo “Sabrina”, “Julia”. Não sei se ele faz isso puramente para me irritar, mas a verdade é que meu excelentíssimo tem certa razão. Conheci as maravilhosas Marian Keyes (não, eu não comecei por Melancia!), Helen Fielding e Sophie Kinsella… o que essas três têm em comum? Combinam com perfeição a comédia, o romance e situações dramáticas. Me conquistaram inteiramente.

   Aqui temos um pouco da minha infância e adolescência. Dentro da ficção, fantasia, posso dizer sem sombra de dúvida, que fui muito feliz.

  

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