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Resenha “Sushi” – Marian Keyes

   Vai dizer, não tem nada mais legal do que falar sobre o que nos marca de bom, nossas boas experiências. Quando comecei a ler Marian Keyes, minha vida entrou numa sucessão de boas experiências. Por quê? Bem, cada obra dela lida por mim fez um bem imenso, e Sushi não poderia se encaixar melhor nessa afirmação.

sushi

   Título Original: Sushi For Beginners

   Autor: Marian Keyes

   Gênero: Chick Lit, Romance

   Páginas: 574

   Editora: Bertrand Brasil

   Ano: 2004

   Sinopse:

   “Sushi” é um livro sobre a busca da felicidade. E ensina que, quando você deixa as coisas ferverem sob a superfície por tempo demais, cedo ou tarde elas acabam transbordando. Perspicaz, engraçado e humano, este romance de Marian Keyes consolida sua posição como a mais popular jovem autora da Grã- Bretanha. Lisa Edwards, a durona e sofisticada editora de revistas, acha que sua vida acabou, quando descobre que seu novo emprego “fabuloso” não passa de uma ordem de deportação para a Irlanda, com a missão de lançar a revista Garota. Ashling Kennedy, a editora assistente da Garota, também tem seus problemas. É a Rainha da Ansiedade, e não é de hoje que sente que algo não está cem por cento na sua vida. E não só porque o que lhe sobra são bolsas, falta em cintura e namorado – mas porque, no fundo, no fundo, falta algo mais, como aquele pontinho minúsculo que fica na tela quando a gente desliga a TV à noite. Conhecida como “Princesa”, a vida sempre deu a Clodagh tudo que queria (e por que haveria de ser diferente, quando se é a garota mais bonita da turma?). Ao lado de seu príncipe e dois filhinhos encantadores, ela vive um conto de fadas doméstico em seu castelo. Mas então, por que será que nos últimos tempos anda sentindo vontade – e não pela primeira vez – de beijar um sapo? (Abrindo o jogo: de dormir com um sapo). Mais um sucesso de Marian Keyes, que vem divertindo milhares de leitores no mundo todo.

   Quem acompanha o blog já deve ter notado que eu não sigo a ordem cronológica dos livros, até porque nem mesmo comecei pelo primeiro, Melancia. A ordem aqui era pra ser a de leitura, mas vou postando o que mais vai mexendo comigo. Sushi, como a própria sinopse poderia dizer e diz acertadamente, é um livro em busca da felicidade. Usa como exemplo dessa busca três garotas, Ashling, Clodagh e Lisa. Diferentemente dos livros das irmãs Walsh, não é escrito em primeira pessoa.

   Ashling faz o tipo bem comunzinho, não é exuberantemente linda, nem é fabulosa em nada. Às vezes consegue ser meio mocoronga, ou seja, me identifiquei bastante com ela. Gosto do jeito bondoso dela, tenta ser sempre a melhor possível, querendo ajudar os outros. Mexe muito comigo ver o quanto ela passa a se importar e ajudar o mendigo Boo. Além de tentar ajudar o chefe, “Jack Divino” com sua namorada, a dançarina exótica e misteriosa. Ela tenta ajudar até mesmo a sua nova chefe, Lisa. Essa, por sua vez, é totalmente o oposto da Ashling: linda em todos os aspectos, bem sucedida em sua carreira… mas acaba de ser mandada para a Irlanda, onde chefiará uma nova revista, Garota. No começo da leitura eu me pego achando a Lisa uma completa vaca, esnobe, nojenta. É com satisfação que vejo o quanto ela está sofrendo. A mulher é venenosa, passa por cima de quem for, muito ambiciosa, humilha, acaba com as pessoas. E quando ela pensa que tá interessada no Jack, fico com mais raiva dela ainda! Sei lá, não acho que ela fosse merecedora do cara, já tinha tudo e de mais a mais… eles nem combinavam. Clodagh, a meu ver, é uma chata egoísta, que só sabe fazer drama. Tem tudo que uma mulher sonha ter, mas acha que a vida dela é uma merda. A mulher não tem que trabalhar, tem um marido maravilhoso, grana, uma baita casa, dois filhos (bom, nem tudo é perfeito)… mas ahhhh, a vida dela é muito difícil! Nossa, de longe ela foi a personagem mais chata que eu já conheci. Até porque, era melhor amiga da Ashling e rouba o namorado dela, com quem acaba casando… não sei vocês, leitoras e leitores, mas eu tenho uma opinião nada agradável a respeito de amigas “fura-olho”…

   Engraçado que desde o princípio, minha favorita era a Ashling, detestava a Lisa e a Clodagh era só uma chatinha que não fedia nem cheirava. De repente… reviravolta! Começo a gostar da Lisa e a Clodagh vira uma filha-da-mãe completa. E isso que eu nem tinha chegado na parte em que ela vira uma grandessíssema amiga-da-onça versão MASTER. Foi bom ver o quanto a Lisa cresceu emocionalmente, amadureceu. Ela era muito obcecada com o trabalho, em vencer na vida. Na verdade foi isso que me fez gostar tanto dela. Uma mulher que não precisou de um canudo para subir na vida, e usou seu talento para isso, que não envolveu se enfiar na cama de todo e qualquer sujeito que tivesse alguma posição de destaque na sociedade. Lisa é uma batalhadora, vencedora. Mas infelizmente não conseguiu enxergar que seu sucesso já era suficiente, a típica gana sem limites. E quando ela caiu, a queda foi feia. Mas ela aprendeu com isso, aprendeu muito. Precisou voltar à sua origem simples, de moradora de subúrbio inglês, e conseguiu ver muitas coisas boas que ela havia deixado para trás… e sim, isso envolve comer batatas!

   As três, à sua maneira, partem numa busca inconsciente pela felicidade, nesse caminho Ashling, Clodagh e Lisa aprendem, caem, se divertem (Clodagh até demais, aquela vaca!), choram. Lisa se apóia no trabalho, Ashling nos amigos, Ted e Joy – eles são hilários, Joy principalmente! -. Clodagh passa a história inteira sofrendo e achando que tudo na vida dela é uma droga.  Você provavelmente vai se irritar com ela do princípio ao fim do livro também, mas de longe esse foi um dos livros que mais me marcaram na vida. É fantástico, incrível, e até o final você estará gamadinha pelo Jack, porque como Joy diz sabiamente, ele é Divino! Vale muito a pena a leitura, então não perca tempo!

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Resenha “Casório?” – Marian Keyes

   Quem aí já recorreu a uma cartomante para ver seu futuro? Confesse, você já quis saber mais sobre aquela proposta de emprego nova, ou aquele gato do escritório. O negócio é que nós mulheres não resistimos a esse tipo de coisa. É uma magia que nos atrai contra nossa vontade, e quando menos esperamos, já estamos sentadas na frente da senhorinha com a bola de cristal/baralho/borra de chá. Com a nossa amiga Lucy Sullivan não poderia ser diferente. Apresento-vos o meu livro favorito da Marian Keyes:
   Título Original: Lucy Sullivan Is Getting Married
   Autor: Marian Keyes
   Gênero: Chick Lit
   Páginas: 644
   Editora: Bertrand Brasil
   Após a tradicional ida à cartomante com suas colegas de trabalho, Lucy descobre que está para se casar. E dentro de uns poucos meses! Tá, camarada. Isso você lê na orelha do livro. Mas como tenho que começar por algum começo…
   Esse foi o terceiro livro da Marian que eu li, já amando o gênero Chick Lit e em especial, o jeitinho que a autora tem de contar as coisas. De cara me identifiquei com a Lucy (sim, eu leio me imaginando como um dos personagens, algo contra?). Baixinha, cabelo castanho, encaracolado, olhos castanhos, peito pequeno, um quadrilzão e pernas grossas… sou eu! Sim, e você, e aquela vizinha, e amiga dela… Nossa mocinha encanta por ser um tipinho comum e muitas vezes tomado como sem graça. E é bem como ela se sente, dividindo o apartamento com as duas amigas, Karen e Charolotte. As duas são loiraças, altas e peitudas. A vida da Lucy é essa chatice até que a cartomante consultada por ela e as amigas faz a previsão de que a mulher vai se casar em breve. Aí vira aquela bagunça, todos começam a acreditar que a notícia é real, Lucy é parabenizada por multidões, até que resolve esclarecer que era tudo bobagem. Mas ela não deixa de pensar nisso, sempre procurando encaixar os homens que ela conhece no papel do futuro marido.
   O enredo é bem no estilo da Marian mesmo, que consegue escrever de maneira especial, delicada e divertida sobre os problemas da nossa heroína. Lucy sofre de depressão clínica, seu pai é alcólatra, ela não se dá bem com a mãe, se acha uma garota super sem sal… Mas as aventuras da moça são impagáveis, e seus amigos destacam-se bem. Atenção especial ao Daniel, o melhor amigo dela e deus grego, objeto de desejo de todas as suas amigas à exceção da australiana Megan, que parece ser imune ao charme do gato, coisa que nem a mãe da Lucy consegue, e da própria Lucy, que vive zoando o cara. É… todas flertam com Daniel, inclusive eu, que me peguei em várias ocasiões fazendo isso.
   Após o divórcio dos pais seguido por sua mãe saindo de casa e Lucy tendo que cuidar do pai, ela aprende muito sobre si mesma, seus traumas, suas decepções e fracassos. E descobre estar apaixonada por quem jamais imaginaria… mas quem? Será este o tão esperado noivo? Você terá que ler para descobrir. Não deixem de ler, recomendo muito. E se eu recomendo é porque é bom, hehe. Vale a pena!

Resenha “É Agora… ou Nunca” – Marian Keyes

   E se você tivesse apenas mais uma chance para ser feliz? Uma única chance antes que sua vida acabasse? É com esse questionamento que Marian Keyes nos apresenta É Agora… Ou Nunca.

   Livro: É Agora… ou Nunca

   Título Original: Last Chance Saloon

   Autora: Marian Keyes

   Páginas: 588 páginas

   Gênero: Chick Lit

   Ano: 2006

   Editora: Bertrand Brasil

   Engraçado este ser o livro que abre o Leituras Bacanudas. Não segui ordem cronológica de lançamento das obras dessa excelente escritora, tampouco ordem de preferência. Mas passa bem perto, ele perde apenas para Casório?. Nele, Marian nos apresenta três amigos inseparáveis, Katherine, Tara e Fintan, vindos diretamente de Knockavoy (confins da Irlanda, meus caros) para Londres. Katherine é a “certinha” do trio, uma mulher centrada e bem resolvida… pelo menos à primeira vista. Com seu corpo esbelto e roupas de grife, exibe sempre uma auto-confiança inabalável e despreza os homens. Já Tara é a que não consegue viver sem homem. Gordinha, sempre comendo ou pensando em comida, mora há dois anos com seu namorado Thomas, cara que nenhum dos seus amigos gosta ou aprova para ela. Fintan é o único que realmente é feliz na sua vida pessoal. O mais velho dos três amigos, ele é um homossexual muito bem resolvido, casado com o arquiteto Sandro, o “pônei italiano”. Trabalha com uma estilista biruta e drogada, mas ama seu emprego. Tem também a Liv, sueca deprê que dividia o apartamento com Tara e Katherine.

   Cada um tem sua vida e sua rotina, mas são tão ligados que sempre dão um jeito de estarem juntos. E a vida corria muito bem na sua normalidade até Fintan cair doente. Paira no ar a ameça do HIV, mas para surpresa geral o melhor amigo das garotas está com câncer. Temendo estar à beira da morte, Fintan faz um pedido às amigas. Tara deve terminar seu relacionameto com o horroroso Thomas e Katherine deverá “sair da geladeira”, deixando de lado seu desprezo pelo sexo masculino. E agora, será que elas realizarão o talvez último pedido do melhor amigo? Terão de ler para descobrir.

   Longe de ser um livreco cheio de sentimentalismos, o quinto romance de Marian é uma verdadeira lição de vida. Aborda maravilhosamente bem temas como o aborto, a depressão, a comodidade num relacionamento sem futuro, a luta contra o câncer e seu tão doloroso tratamento, o preconceito sexual, a força da amizade. Mostra-nos que é sim possível dar a volta por cima.

   Damos também muitas gargalhadas com a história, como os apelidos que os colegas de trabalho de Katherine dão para as funcionárias devido às suas habilidades sexuais. As desventuras de Tara em busca do batom indelével e sua constante obcessão por comida. As tentativas de Lorcan de se tornar um ator super famoso. É de rir até às lágrimas, passamos por tudo que as personagens passam. Sentimos tudo que elas sentem. Passam a ser nossos melhores amigos e você se pega torcendo pelo melhor para eles, que sejam felizes. Esse é o sentimento que a obra passa. E a energia é muito boa. Se existe mesmo a tal de terapia, você a escontrará nessas 588 páginas. Posso lhe prometer que não se arrependerá.

   Pela minha história pessoal de vida, esse livro significa muito. Foi o primeiro que eu li no momento mais importante e especial desses meus vinte anos de existência. E não, não comecei por Melancia. Na verdade, sequer fazia idéia que a autora era tão famosa.

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