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[Resenha] A Menina Submersa – Caitlín R. Kiernan

 Título Original: The Drowning Girl; a memoir
  Autor:  Caitlín R. Kiernan
  Editora: Darkside
  Gênero: Fantasia/suspense psicológico
  Páginas:  313
  Ano: 2012

Vou escrever uma história de fantasmas agora […]
Nunca julgue um livro pela capa. Nunca mesmo. Você pode ficar positiva ou negativamente surpreso. Quando vi este livro na Cultura, sendo da Darkside e com comentário de ninguém menos que Neil Gaiman, pirei. Enchi o saco que tinha que ter o bendito livro. Consegui. Fui para casa, deitei na cama e comecei a leitura. A Menina Submersa é uma história dentro de uma história, e India Morgan Phelps (Imp para os íntimos), é a maluca mais intrigante que já conheci. A moça tem um histórico triste na família: avó e mãe cometeram suicídio em virtude de sua doença (Esquizofrenia). Imp também herdou a doença, o que significa que se ela não tomar suas pílulas mágicas e se consultar com a psiquiatra responsável, a coisa engrossa consideravelmente para ela.
Imp passa o tempo todo tentando escrever um livro, porém ela possui um talento notável para pintura e desenho, apenas não acredita no seu potencial. Trabalha em uma loja de artigos para pintura. Em um belo dia, conhece Abalyn e de uma forma totalmente curiosa, elas se apaixonam (será que foi assim mesmo? Os relatos de Imp nunca são confiáveis). Sim, Imp é homossexual assumida, e sua namorada, uma transexual até muito bem resolvida nos dias atuais. Gostaria de dizer (e vou dizer mermo) que senti MUITO AMOR por essas duas. Sério gente, elas são tão lindas juntas, o jeito que a Ab cuida da Imp, o cuidado dela com sua doença. O jeito que elas se organizam juntas, o fato de Imp tentar se interessar de verdade pelo trampo da namorada… o relacionamento delas é lindemais!
Nesse meio tempo, fico pensando se realmente li direito que o livro é de terror. É aí que chego na parte negra: Imp tendo uma crise. Sei que vocês estão acostumados a fantasmas e monstros, mas vou dar a real: terror está em toda a parte. Quem não está acostumado com terror psicológico não vai curtir a leitura. Como muitos sabem, Esquizofrenia é uma doença em que confundimos fantasia e realidade. Imp possui uma versão hard dessa doença. É uma luta, uma dificuldade para que ela consiga reunir ideias, pensamentos e memórias para poder escrever o seu livro. Por isso disse que ela passa o tempo todo tentando escrever, é difícil para ela.
No início dessa resenha, disse que não devemos julgar um livro pela capa. Quando eu o vi pela primeira vez, pensei no terror clássico, naquele óbvio ao qual estamos acostumados. Depois de começada a leitura, fui achando tudo muito chato e confuso. Um pouco antes da metade da obra, o jogo vira e começo a compreender tudo. É aí que o puro horror me pega. Você terá de ler para entender.
Fora isso, a tristeza impregna as páginas desse. Imp se sente um lixo por ter herdado a maldita doença de seus antepassados, lutando constantemente para não cair em um buraco negro. E quando as Evas aparecem, as coisas tendem a piorar drasticamente.
Essa foi uma das leituras mais difíceis, porém mais terrivelmente belas que já fiz. Vale a pena viver essa experiência. Vocês estão prontos para viver uma história de fantasmas, sereias e lobos?
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Resenha “A Maldição do Cigano” – Stephen King (Richard Bachman)

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  Título Original: Thinner

  Autor: Richard Bachman

  Editora: Francisco Alves

  Gênero: Fantasia/Terror

  Páginas: 283

  Ano: 1984 (USA)/1991 (BR)

“Emagrecido!”

   Que outra frase eu poderia usar para abrir essa nova temporada (espero que longa) de resenhas? Numa rápida sinopse,  nosso amigo advogado, o “grande” Billy Halleck, após se safar do atropelamento seguido de homicídio de uma velha  cigana, é amaldiçoado pelo pai da mesma, o cigano mor, o chefão, THE BIG FUCKING BOSS dos ciganos. Com o quê? A  emagrecer. Ok, sei que muitos de vocês não encaram isso como maldição, eu inclusive, quando comecei a ler, mas acreditem… apesar do Billizão estar bem precisado de uma emagrecidinha básica, o negócio meio que toma proporções assustadoras e deixa o cara bem encagaçado. O cigano Lemke mostra que se pode sim fazer justiça com as próprias mãos, e o que é melhor, sem sujá-las. A obra que o nosso queridão escreveu sob o pseudônimo de Bachman é recheada de adrenalina, não só aquela fantasia assustadora que conhecemos e amamos, mas uma verdadeira corrida contra o tempo, em que cada segundo é precioso. A gente vê que as pessoas são sujas em tudo que é lugar, não só na vida real. Claro que o cara não atropelou de propósito, mas foi imprudente pacas e não sofreu nem uma puniçãozinha da justiça… claro, ter costas quentes é o segredo do sucesso, e uma esposa peituda, não podemos esquecer. O cara tem um bom casamento, uma filha adolescente com bastante juízo, e quilos de sobra. Não consigo entender como é que a criatura consegue comer tanto e não se cuidar, e ainda assim ter uma mulher linda que (pasmem) o ama de verdade e não tá com ele pelo dinheiro e carreira bem-sucedida. Depois de todo o sufoco, o confronto com o velho na saída do tribunal, Halleck pensa que tudo voltará a sua normalidade, que este foi um desagradável fato isolado. Tsc, tsc… Cara, eu gosto realmente desse livro, é bom demais, por várias razões. Uma delas é que tu lê se mexendo, não tem como ficar parado. É demais. Temos personagens durões, o Ginelli é o máximo, ofusca todas as atenções com suas tiradas sarcásticas e maldosas. Sem contar que ele não perde a piada nem em meio a um ataque terrorista. Bachman errou feio com ele no final, mas no fundo o compreendo (dessa vez). Agora, o que mais me fez acreditar que este é um grande acerto do mestre é sem dúvida o final FODA. É bom demais quando um escritor sabe os caminhos que pode tomar em relação a suas histórias e as consequências dos mesmos. Esse negócio de escrever se deixando levar não me convence de jeito nenhum: no momento em se decide escrever algo, seja romance, novela ou conto, tu és Deus. Não dá pra deixar tudo se resolver por si. Discordem de mim, podemos discutir essa questão durante horas, mas SK tem sérios problemas em finalizar suas obras. Aqui, ele soube mexer as peças no tabuleiro super bem, consegui ver nitidamente isso. Bom, espero que vocês tenham ( não vou dizer explicitamente “gostado”) se sentido informados quanto à obra. Vale mais do que a pena ler, é curtinho… Primeiro que li dele como Bachman. De resto, vai uma torta de morangos aí?

22 Livros para se MORRER ANTES DE LER

   Sei que vocês vão dizer que eu errei o título do post, que na verdade estou recomendando livros para leitura, mas é exatamente o que vocês estão lendo: estou fazendo minha própria lista, depois de ter lido um post bem semelhante no Livros só Mudam Pessoas. Quantas vezes lemos uma obra e ficamos com aquela sensação de que se tivéssemos uma bola de cristal, ou um amigo legal que relatasse suas experiências literárias, a gente teria mais dicernimento na hora de escolher um livro. Não vou passar sinopse de nada, nem vou colocar em ordem nenhuma. Mencionarei obras, que estarão acompanhadas de sua imagem de capa, ponto. Comentem se vocês se identificaram com algum livro, dividam suas experiências. E quem quiser saber meus motivos para incluir algum livro na lista, peçam resenha pelos comentários! Vamos a elas (para quem não sabia, eu li sim, quase todas as obras da Saga Crepúsculo. Tenho muitas críticas a elas, e nenhuma tem a ver com a rixa estúpida entre varinhas e criaturas noturnas):
   Brida – Paulo Coelho
O Monte Cinco – Paulo Coelho
O Diário de um Mago – Paulo Coelho
   
O Alquimista – Paulo Coelho
Crepúsculo – Stephenie Meyer
Lua Nova – Stephenie Meyer
 Eclipse – Stephenie Meyer
Concerto Campestre – Luiz Antônio de Assis Brasil
O Filho Eterno – Cristóvão Tezza
O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
A Educação pela Pedra – João Cabral de Melo Neto
Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo
 Morte Súbita – J. K. Rowling
   
Iracema – José de Alencar
O Guarani – José de Alencar
Rose Madder – Stephen King
Meu Marido Foi Embora. E Agora? – Valeria Araújo
O Dia em que Atirei no Cupido – Jennifer Love Hewitt
Tudo por um Popstar – Thalita Rebouças
Os Assassinatos da Rua Morgue – Edgar Allan Poe
Clara Hutt: Uma Vida de Bandeja – India Knight
O Crime do Padre Amaro – Eça de Queiroz

Resenha Livro “A Zona Morta” – Stephen King

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   Título Original: The Dead Zone

   Autor: Stephen King

   Editora: Abril Cultural

   Gênero: Religião, Sobrenatural, Terror

   Páginas: 389

   Ano: 1985

   Sinopse: Jonny Smith é um simplório professor secundário, acorda de um coma de cinco anos aparentemente sem sequelas, a não ser por uma área de seu cérebro danificada, que o impede de reconhecer certos objetos. Os médicos dão a essa área o nome de zona morta.
Mas a zona morta abriga muito mais do que memórias esquecidas. Por conta dela, Johnny desenvolve o poder de prever o futuro. Isso támbem é sua condenação – nela cresce um tumor que rapidamente suga suas energias.
Após conhecer Greg Stillson, um inescrupuloso candidato a deputado, Johnny tem terríveis visões do político como presidente dos Estados Unidos e o país mergulhando numa guerra nuclear. Perturbado, ele terá que enfrentar o difícil dilema: sofrer em silêncio, sabendo das tragédias que virão, ou matar Stillson, numa desesperadatentativa de impedir a catástrofe prenunciada. 

   Terceiro romance do mestre King, Zona Morta já me atraiu pelo enredo: um rapaz que pode ler pensamentos, prever o futuro ou enxergar o passado de algo ou alguém simplesmente pelo toque. Bom, quem não curtiria ler pensamentos? Eu nesse momento gostaria, enfrentei um momento de turbulências no trabalho com uma colega e ex-amiga. Dá sempre aquela vontade de entender o que se passa na cabeça de um sacana, apropriando-me do termo que parece ser o preferido de Greg Stilson, haha. ZM é um romance paranormal? É, sim. Um romance que ressalta o tema do fanatismo religioso? É, sim. É uma história de amor? É, sim. Mas também, e notavelmente, é uma obra política. Não sei como SK tem esse dom de escrever – e escrever muito bem – sobre todo e qualquer tema que aparecer na sua frente. O cara entrou no universo da politicagem, e entrou com tudo. Nota máxima para ele!

   A princípio, eu julguei que a história teria como tema os assassinatos, e que Johnny desvendaria o mistério, que tornaria Sarah sua esposa, teriam filhinhos e eras isso. Cheguei até a cogitar a hipótese de o marido de Sarah ser o assassino, assim ele já virava carta fora do baralho (mas nunca deixei um segundinho de suspeitar das intenções do sacana do Stilson!). E então eu lembrei: cara, to falando do King. Isso nunca aconteceria. E de fato, estava certa. Meu excelentíssimo torturou-me bastante por ter lido antes de mim. Esse livro me marcou da mesma forma que Carrie marcou: foi dramático demais, doloroso demais. O sobrenatural, o mistério, foram deixados de lado pelo drama, pela tristeza da história. Aquela dor de desejar que pequenos fatos não se consumassem para que a desgraça toda não acontecesse. De desejar que Johnny ficasse na casa de Sarah cuidando dela, ou de que ele tivesse procurado ver se não houvera sequelas do acidente na sua cabeça, além da óbvia paranormalidade. Provavelmente quando vocês lerem a obra, viverão as páginas com o “Se” em mente. Passei por isso no momento em que terminei a parte do acidente da infância.

   Zona Morta está bem longe de ser meu livro favorito, por tratar muito de política. Eu odeio esse tema, acho muito sacal. Creio que se a história fosse mesmo centrada nos assassinatos, com mais ação, eu teria gostado muito mais. No entanto, não chega nem aos pés de Rose Madder no quesito “eu poderia ter passado sem ler”, por exemplo. A meu ver, é um romance que é legalzinho, com um tema bacana de se explorar, mas nada que te prenda.

Resenha Livro “Desespero” – Stephen King

   “Quando o sol se põe e um vento soturno começa a soprar, tudo pode acontecer. E é bem provável que logo se descubra o verdadeiro sentido da palavra desespero.”

   “Aquele que não ama não conhece Deus, pois Deus é amor.” (João 4:8)

   “David recostou sua cabeça novamente no banco, fechou seus olhos e começou a rezar.” 

desperation   Título Original: Desperation

   Autor: Stephen King

   Editora: Ponto de Leitura (Selo Objetiva)

   Gênero: Religião, Sobrenatural, Terror

   Páginas: 540

   Ano: 1996

   (Segunda obra favorita da Bezerrinha, de todos os tempos!)

  Sinopse: Um gato espetado numa placa da Rodovia 50 – uma das mais solitárias dos Estados Unidos – revela que nem sempre é fácil chegarmos ao nosso destino. O professor Jackson e sua esposa, a família Caver e o escritor Jonh Marinville sabem disso. O trajeto até a cidade de Desespero indica que a viagem será sombria e assustadora. Afinal, ao longo deste insólito caminho existe Collie Entragian, um louco disposto a fazer das suas palavras a própria lei. Quem conseguirá sobreviver? Este é o ponto de partida do novo romance de Stephen King, “Desespero”.
Neste romance, o grande mestre descreve a luta apocalípitca entre Deus e o demônio que acontece na pequena cidade de Desespero. O terrível personagem Entragian é apenas uma ponta visível de um terror que tem longos e poderosos tentáculos. O confronto é cruel e literalmente desesperador…. Prepare o seu fôlego e embarque nesta trama alucinante do mestre King.

   ” – Você tem o direito de permanecer calado. Qualquer coisa que você disser poderá ser usada contra você no tribunal. Você tem o direito de ter um advogado presente durante qualquer interrogatório. Eu vou matar vocês. Se você não puder pagar um advogado, um defensor lhe será indicado. Você compreende seus direitos?”

   Esperei tempo demais para publicar a resenha desse livro, sinceramente. A obra, que dentre tantas tão maravilhosas, ocupou por quase um ano o título de melhor livro de todos os tempos para mim, recentemente cedendo lugar à A Dança da Morte (The Stand). Mas bah, tu pensas ao ler a sinopse. O que essa guria, no meio de tanto Chick Lit quer com Stephen King? Mas esse cara fez parte da minha adolescência junto com a paixão da minha vida, Edgar Allan Poe. Esse livro revela o melhor de SK, na minha opinião. Mas muita gente ficou com a ideia de que ele era um puta fanático religioso. Caramba, isso é exatamente o que me conquistou! A batalha religiosa, tanto aqui como em ADM, te pegas totalmente, te transportas para aquelas páginas, tu já estás na luta, e precisas decidir-te rapidamente de que lado estás.

   Em Desespero, SK usa bem suas táticas para impressionar: terror e violência. Aqui, os dois andam de mãos dadas e ninguém é poupado, seja como vítima, seja como leitor. Eu logo de cara já me arrepio, mas vocês sabem o quanto amo gatos, então não é novidade. Essas táticas pegam o leitor de jeito? Sim, pegam, mas particularmente acho que o assunto “Deus” dá mais certo e infinitamente mais pano para a manga. Várias pessoas estão viajando, sejam solitárias ou em grupos, duplas. E todas (bem, quase todas, tu saberás lendo) são paradas na estrada pelo maior guarda já visto. E, é aí que a coisa engrossa legal, gente. Todos eles se apegam ao menino mais velho dos Carver, David. Preciso dizer o quanto me afeiçoei a ele? Mexeu demais comigo a história dele e de como o garoto deu a mão para Deus e tornaram-se amigos. Nossa, muito emocionada só de lembrar (já faz tempo que li, mas guardo bem na memória cada detalhe)! As partes dos milagres foram bem tocantes, e a gente sente mesmo esperança quando estamos perto do David. Ele é até um moleque calmo ao longo de todas as páginas, visto o horror pelo qual passou logo no início. A tensão é grande em algumas cenas dele, principalmente a do sabão, concordarás comigo.

   Todos ali sofreram perdas, o guarda é muito mal! Mas se mantêm firmes em sua sobrevivência. Eu passei aflitérrima pelo momento em que íamos descobrir o que se passou naquela cidade para ela ser tão deserta e como raios um homem pode ser tão alto e com uma cor tão esquisita. E nosso mestre não me decepciona, tirei o chapéu para o enredo, todas as explicações e todos os pontos. King foi tão ousado que utilizou um recurso que só vi raras vezes: reaproveitamento de personagens. Claro, não de personagens principais, mas mesmo assim, curti pacas isso. Quem nunca se perguntou como andaria tal personagem, ou que sentiu saudade e tal. E as obras não são ligadas em enredo nem nada, a única ligação que possuem é essa personagem. Muito bacana mesmo.

   Enfim, não quero aprofundar-me na questão da religiosidade aqui nessa resenha, embora ela renda horas a fio de vozes exaltadas. Essa é uma história que nos conta que por pior que seja a maldade de um ser, Deus triunfa sobre ela. Deus triunfa sobre tudo, e ele pode ser cruel, mas Deus é amor…

Resenha “A Estrada da Noite” – Joe Hill

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   Autor: Joe Hill

   Título Original: Heart-Shaped Box

   Editora: Arqueiro

   Páginas: 256

   Gênero: Sobrenatural, Suspense, Terror

   Ano: 2007

   Sinopse: Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
“Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto…”
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas – o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente – verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite – e nada é exatamente o que parece.
Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.

    Então é isso. Um livro escrito pelo filho de ninguém mais, ninguém menos do que o MESTRE do terror e sobrenatural, Stephen King. Ele, Joe Hill, o próprio Iluminado, resolveu seguir os passos do pai e se aventurar no mundo da escrita. Teve o bom senso de não utilizar o sobrenome do cara, e até conseguiu ocultar suas origens por um tempo. Com o claro objetivo de não ser comparado ao pai. Mas isso é impossível, não tem como não comparar, embora eu não faça muito isso. O que posso dizer num geral é que ambos são talentosos e escrevem muito bem, embora sejam bem diferentes nisso apesar do gênero literário em comum. Outra coisa bacana a se observar, e eu diria muito bacana, é que Hill parece gostar de finais felizes, diferente de King.

   A primeira impressão que tive da história é a de que Judas não passa de um velho bundão que fez muito sucesso na sua mocidade e com muita grana no bolso. Tantas verdinhas que ele usa isso para atrair garotas com idade para serem suas netas. Não gosto do jeito dele, do quanto ele é ranzinza e de como ele trata mal a namorada. Outra que o cara não bate bem né, coleciona um monte de merda, lixo mesmo, cara, no duro. Só coisas macabras, podendo citar aí uma fita Snuff ! Desmiolado? Sim. E ele é tão nojento que apelida as mulheres com quem dorme pelo nome dos estados! Sério, que pretensão. Mas no decorrer das páginas até que deixo um pouco de implicar com ele.

   O livro marcou-me em muitos momentos por ter me identificado com Anna, a Flórida (ARGH!). Ela sofria de depressão antes de supostamente ter se suicidado. E por ter segredos que provavelmente revelem o motivo da depressão, Anna usa de escudo as incessantes perguntas. São tantas perguntas, para qualquer pessoa, que a gente pode ficar tonto de tanto responder. Ela não é uma adolescente, mas dá um ar de eterna menina. Tentei muito não gostar dela, porque não aprecio suicidas, por mais legal que estes sejam. Mas quando ela não estava em crise era muito legal. Também curti a Marybeth, Geórgia. Ela é a atual namorada gótica do Judas. Todas elas são góticas. Cês tão vendo o que quero dizer? O cara só curtia góticas com um passado meio sujo. Não é implicância, longe disso…

   Taí um livro que realmente me assustou para valer. É uma história sobrenatural, mas fazer com que ela realmente assuste foi um desafio e tanto, e que foi cumprido. Senti arrepios em alguns momentos, aquele velho maldito com o pêndulo conseguiu me fazer fechar o livro uma única vez, o que é um senhor feito. O jeito como um fantasma conseguia manipular as pessoas na história foi bem surpreendente. Fiquei bem encucada com o ódio que ele sentia pelo Judas, porque apesar do que aconteceu com Anna a culpa não foi do cara. A obra me ganhou de vez quando vi que não era uma simples história de fantasmas e sim um grande mistério. Foi o primeiro romance de Joe Hill que li e posso dizer com satisfação que não deixou em nada a desejar. Conseguiu me satisfazer completamente e recomendo muito.

   Então pegue sua jaqueta de couro e siga-me pela Estrada da Noite…

Lançamentos Literários – Fevereiro

 Companhia das Letras

A Paz Dura Pouco – Chinua Achebe
O Homem É um grande faisão no mundo – Herta Müller
As Agruras Do Verdadeiro Tira – Roberto Bolaño
O Humano Mais Humano – Brian Christian
As virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides
O Escolhido Foi Você – Miranda July
Todos Os Poemas – Paul Auster
Toda Poesia – Paulo Leminski
A Conquista Social da Terra – Edward O. Wilson
O Jantar Errado – Ismail Kadare
Corpos Estranhos – Cynthia Ozick
Um Encontro – Milan Kundera

Penguin-Companhia

O Jardim Secreto – Frances Hodgson Burnett
Senhora – José de Alencar
Ilíada – Homero

Companhia de Bolso

Sobre História – Eric J. Hobsbawm
As Damas do Século XII – George Duby
O Complexo de Portnoy – Philip Roth

Claro Enigma

O Que É Arte Contemporânea? –  Jacky Klein & Suzy Klein

Quadrinhos na Cia.

Segredo De família – Eric Heuvel

Companhia das Letrinhas

Em Cima Daquela Serra – Yara Kono
Sombrinhas – Jean Galvão
O Livro Dos Maiores Exploradores De Todos Os Tempos – Peter Chrisp

Editora Paralela

Os Cães Sonham? – Stanley Coren
Adeus, Por Enquanto – Laurie Frankel

Editora Seguinte

O Cavaleiro Fantasma – Cornelia Funke
Destino Sombrio – Luís Dill

Resenha “O Iluminado” (The Shining) – Stephen King

   Lembro-me como se fosse ontem, numa das minhas primeiras visitas à Biblioteca Municipal de minha antiga cidade como efetiva sócia (orgulhosa à beça, antes ia e ficava só namorando os livros em destaque), estava tão feliz que resolvi que chegava de olhar os livros só da frente, os expostos mais populares. Queria aventura de verdade, então fui logo caminhando pelo fundo à esquerda. Lá estava a verdadeira mina de ouro: terror e suspense. Fui direto na minha paixão de menina, Edgar Allan Poe. Porém, uma prateleira abaixo me chamou muito a atenção. Livros com capas de palhaços apavorantes, carros vermelhos, garotas tristes, esqueletos… vi que o autor de cada um deles era um tal de Stephen King. Não se enganem pensando que o nome me era estranho. Já conhecia o carinha, uma pessoa como eu, ávida por livros do gênero jamais ignoraria o nome e suas referências. O que acontece é que na biblioteca da minha escola não tinha nada dele, então ao ver uma prateleira cheia de suas obras meu rosto se abriu num imenso sorriso de satisfação. Isso foi um pouco antes de eu ingressar em romances mulherzinha, como os da Nora Roberts. Fiquei entre Carrie e O Iluminado. Acabei levando os dois (podia pegar dois livros e um kit de gibis por 10 dias). Aquele por a história me lembrar um pouquinho a da Jean Grey, minha X-Men favorita, e este por ter visto o filme e UAU, era de arrepiar. Talvez pela cara do Jack Nicholson já ser naturalmente assustadora, vai se saber…
    Tendo os lido nessa ordem, devo dizer que estava ansiosa por começar o segundo. O Iluminado foi ao mesmo tempo maravilhoso e revoltante, porque quando analisamos pelo prisma literário, o filme deixou muito a desejar. O livro era muito mais, é muito mais. O horror, o medo puro impresso naquelas 399 páginas jamais poderá ser reproduzido à altura.
   Título Original: The Shining
   Ano de Lançamento: 1977
   Número de Páginas: 399
   Grau de Pavor – Escala de 1 a 10: 9,85
   Diferentemente do que a maioria pensa antes de ler a obra do Tio King, não, o iluminado da história não é o Jack Torrance. Ele é apenas um escritor com certo potencial e chefe dessa família, que inclui sua esposa Winnyfred (Wendy) e seu filho de cinco anos Daniel (Dan ou Danny para os mais chegados), este sim sendo o personagem-título desse clássico. O garoto é muito inteligente para a idade que tem, às vezes sabendo até demais, como onde as coisas em casa estão quando ninguém as encontra, ou quando vai chover. Ele possui um amigo imaginário, Tony. Os Torrances estão passando por uma grave crise financeira e emocional, tendo Wendy quase pedido o divórcio por não suportar o marido bebendo como um gambá. Esse problema fez com que Jack perdesse o emprego e quebrado o braço de Danny quando este tinha apenas três anos. Até que o homem resolve se tornar abstêmio. Como isso não mudasse o fato de que passariam a ficar sem comer, Jack não pensa duas vezes quando um amigo lhe oferece a vaga de zelador do famoso Hotel Overlook. Muda-se com sua família para as montanhas e quando tudo parece finalmente entrar nos eixos as coisas começam a ficar estranhas… Danny constantemente tem pesadelos tenebrosos com o hotel, de dia vendo até imagens impressas nas alas de épocas atrás. Jack desenterra todo o passado do hotel, que é extremamente negro. O filho parece ter premonições vindas de Tony, envolvendo o hotel e sua família, mas não consegue entender… até que uma ida não autorizada ao apartamento 217 desencadeia o horror encerrado nas ricas paredes do Overlook…
   Uma das coisas a se observar na obra não é só a idéia central. King escreve muito sobre o relacionamento dos três, do quanto Wendy deixou de confiar no marido quando este agrediu o filho, e no quanto pai e filho são apegados um ao outro. Isso veio do próprio relacionamento entre King e seu filho Joe, a quem a obra é dedicada:
   “Este é para Joe Hill King, que ilumina.”
   O amor entre os dois por vezes faz Wendy sentir ciúmes, como se fosse uma estranha entre eles. Devo dizer que gostei à beça das cenas de amor entre Jack e Wendy, que foram tão bem escritas que me pergunto se não foram inspiradas em seu relacionamento com Tabitha. Não posso deixar de comentar o quanto um outro aspecto além do terror me chamou a atenção. O drama. Este não é apenas um livro para assustar e fazer gemer de medo, mas sim a vida de uma família, que mesmo com acontecimentos extraordinários é normal como qualquer outra, com seus problemas, suas alegrias. A superação diária do problema de alcolismo do marido e pai. Wendy em seu subconsciente teme que Jack agrida Danny novamente. Quantas vezes emocionei-me com o relacionamento de Danny e Jack, o garoto esperando ansiosamente pelo pai enquanto ouve seu radinho de pilha. Das tentativas deles fazerem bonecos quando começou a nevar, da estradinha que o pai fez para ele brincar com seus carrinhos. O amor com que Jack ensinava o filho a ler. Claro que Danny amava muito a mãe, mas como está escrito nas próprias páginas “O filho era a menina dos olhos de Jack”. Antes de ser uma história cruel sobre forças malignas, é sobre um amor incondicional. O quanto o Sr. Torrance lutou para não ser possuído pela criatura cruel daquele lugar, tudo pelo filho. Só passou a enfraquecer pelas desconfianças de Wendy e da impotência que sentia em relação aos acontecimentos ali presentes, pois sabia que o filho não estava mentindo. Jack então vive um grande conflito que é a) ceder à atração e influência do Overlook sobre ele, assim mudando da posição de zelador para gerente e de quebra escrevendo um livro sobre o lugar e b) deixar aquele maldito lugar, salvando a família e a si mesmo. Mas quando o hotel descobre a fraqueza de Jack e a bebida entra no jogo, consegue possuí-lo. Fiquei infinitamente triste, porque apesar de já ter visto o filme, minha esperança era de que isso não acontecesse. Descobrir que Tony na verdade era Dan um pouco mais crescido (seu nome do meio é Antony) foi uma surpresa muito legal.
   Enfim, esse foi meu segundo livro do Stephen King, e até hoje, tanto tempo depois de lê-lo sei que é e sempre será um dos mais assustadores e emocionantes romances já lidos por mim. E não são poucos, meu caro, pode acreditar.

Resenha “Rose Madder” – Stephen King

   Vamos falar sobre vingança? Haha, ok, não vou dizer que essa obra se resuma em pura e simples vingança. Talvez se assim fosse eu não tivesse me decepcionado um pouco…

  Título Original: Rose Madder
  Número de Páginas: 379
  Autor: Stephen King
  Gênero: Suspense, Drama, Fantasia
  Ano de Lançamento: 1996

   Comecemos pela sinopse. Aliás, curioso isso, muita gente detesta ler a sinopse de livros, ou aquilo que chamamos de orelha. Tem também a contracapa. Conheço bem um cara que não gosta. Mas vamos ao que interessa: Rosie Daniels, depois de sofrer 14 longos anos em um casamento infeliz e cheio de violência (há quem seja feliz com violência, mas isso já é outra história…) com o policial Norman, uma bela manhã resolve dar no pé. O motivo? Uma simples gotinha de sangue seco na fronha do travesseiro. Já por esse começo digo que é bem bacana essa parte, o quanto a gente pode aguentar de alguém e algo minimamente ruim pode ser a gota d’água que transborda o copo. Enfim, ela parte e ainda levando o cartão do banco do cara. Rosie está destroçada, depois de tudo que aguentou em quase duas décadas de vida desperdiçadas ao lado de um maluco, covarde e sádico. Vai parar em uma cidade a 1400 quilômetros de onde morava, conhece uma entidade que auxilia mulheres vítimas de quaisquer tipos de abuso e começa a tentar refazer sua vida. Faz muitas amigas nesse abrigo, o Filhas & Irmãs. Arruma um emprego em um hotel, descobre um talento incomum para um novo emprego, conhece um rapaz… enquanto isso Normie começa sua caçada pela vagabunda que teve a audácia de ir embora levando seu cartão do banco. Muitos detalhes do destino o favorecem nessa busca.
   Nesse meio tempo, Rosie é apresentada a um quadro fascinante: Rose Madder. Bom, e é aí que a coisa degringola no enredo, a meu ver. Não sei se esperava que houvesse um momento de Norman se ferrando pela mão da ex-esposa por meios cruéis, ou ele preso e sendo enrabado, só sei que a história foi tomando um rumo muito sem noção, e ela tinha tudo para ser um livro e tanto. Mais um do mestre King. Porém não rolou… sei que o atraente nele é exatamente o incomum, o sobrenatural, seja qual for o sentido. Mas aqui eu tenho a impressão de que ele escreveu o livro todo doidão e sem conhecimento do que tava fazendo. É legal o lance do quadro, de ter uma história para ele. Mas ficou com um sentido de fantasia tosca, não causou medo e eu sempre espero medo das obras dele. Aqui o mais chocante foi o relato do Norman estuprando a mulher com uma raquete de tênis…
   Não sei qual foi a intenção do Stephen King com Rose Madder, o que ele esperava desse livro, um dia espero eu mesma indagá-lo quanto a isso. A história é nota 10 em quesito chocante, nojento. O que bate com o que ele declarou numa entrevista. Chocar está entre os 3 objetivos dele com uma história. É também muito engraçada, porque eu não pude deixar de rir dos desvarios do cara… o que é a briga dele com a Gertie, haha. Nessa história somos apresentados a uma personagem secundária que será um dos destaques de uma futura obra a sair em 2001. Mesmo com pontos positivos, o negativo pesa mais a meu ver. Principalmente a falta de conexão com a realidade… mas estamos falando de King! Sim, meu amigo, e mesmo assim poderás concordar que é meio sem sentido o cara ter tomado uma bela surra, ter quebrado costelas, matado com requintes de crueldade dois policiais armados, matar uma cambada sem ser notado… pô, eu esperava mais dessa obra. Mas o que pesou mesmo foi eu acreditar que Rosie daria o troco no babaca. Que nada! Foi preciso ele entrar numa pintura e o negócio virar delírio… então OUTRA pessoa deu cabo dele. Isso foi muito decepcionante. A vingança era dela, não achei justo, como mulher. A cereja do bolo tinha que ter sido dela.
   Bom, o que é um livro ruim (minha opinião, mais uma vez reforço) perto de tantos mais EXTRAORDINÁRIOS? Vem mais resenhas de obras dele aí, e essas eu adianto que são bem positivas. Enquanto elas não chegam, vamos trocar idéias?
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